Armando Correa de Siqueira Neto
Bem antes de o ser humano desenvolver a razão, a natureza já havia lhe dotado da capacidade de iludir (e se autoiludir). Assim, o homem fez uso permanente da ilusão para se mostrar superior ao que ele é de fato. No jogo da atração sexual, por exemplo, o macho pretende causar boa impressão à parceira potencial, levando-a a percebê-lo favoravelmente apto; porquanto se atende, consequentemente, ao apelo da informação genética cujo objetivo é dar continuidade à espécie e privilegiar a geração vindoura com eventual aperfeiçoamento. No entanto, muitas promessas douradas embutidas na atraente encenação exibicionista, que antecedem o propósito da reprodução, não têm qualquer garantia de serem cumpridas. Já constatou isso pessoalmente? Será que tal desacordo tem estimulado a reflexão nas mentes que evoluíram o suficiente para desconfiar da astuta e manipuladora trama natural? A ilusão está em crise?
Não obstante, através do pensamento lógico, o homem passou a fazer uso artificial da ilusão natural. Percebendo ser interessante e útil, incluiu nas atividades sociais, novos e sofisticados jogos de ilusão. "Incrementar para atrair" ganhou relevância nos variados setores da convivência humana. Ao analisar criticamente as sociedades contemporâneas, vê-se, por exemplo, o modelo de dinâmica econômica e financeira estabelecida, cuja promessa de lucro alcança desde uma simples ampliação capital ao vasto enriquecimento. Assim, estabeleceu-se a necessidade de se investir em propaganda e, em degrau de maior sofisticação, arriscar-se no tentador mercado de capitais. O valor então é medido pela capacidade de seduzir e estimular, ou ainda, com base na marca e na credibilidade. Repare que nenhum destes itens é concreto. Não se pode tocá-los. Não da forma física, mas através do poder psicológico. A informação (real e especulativa) controla o mercado, e, da m odéstia a supervalorização, tudo é possível.
Mas há um preço a se pagar, pois não há sustentabilidade quando a balança pende muito mais para a ilusão do que para a realidade. O que ocorre quando "X" equivale simultaneamente a "10X"? Em algum momento os fatos pesam e a verdade se impõe. É ai que as coisas desandam e podem piorar em razão dos temerosos comportamentos consequentes. Até onde é possível esticar a corda do ganho virtual sem que ela arrebente? O homem conhece tal limite? Quer conhecê-lo? Ou a ganância extremada faz cegar, impedindo que se prognostique inevitável colapso? Ainda que o mundo seja feito a partir das idéias, que podem se concretizar oportunamente através da produção, a sobrecarga fictícia pode gerar um curto-circuito de dimensões consideráveis. Mais crise da ilusão?
Parece que vivemos um momento de revisão maior do que alguns anteriormente experimentados (fruto da sofisticação psíquica atingida), imposto pelas várias crises que emergem dos setores relevantes da sociedade. Já pensou em considerar também o jogo da ilusão na política, na religião, na educação ou no trabalho? O que pode resultar disso? É prudente que se amplie o número de cabeças pensantes em prol do amadurecimento responsável. Então, é preciso apreciar as novas situações, diagnosticar os pontos nevrálgicos, propor soluções e checar os resultados para a aplicação das correções de rota. Você quer mudar e ser parte inteligente de tamanho projeto? Mãos à obra!
Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo (CRP 06/69637), diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas, professor e mestre em Liderança pela Unisa Business School. Co-autor dos livros Gigantes da Motivação, Gigantes da Liderança e Educação 2006.
Prof. Dr. Antonio Carlos Lopes
A gripe e o resfriado são doenças diferentes, embora ambas sejam infecções respiratórias causadas por vírus e mais prevalentes no frio.
O fato da maior parte dos casos acontecer no inverno é devido à aglomeração de pessoas em locais menos ventilados nesta época do ano. Estes ambientes facilitam a disseminação do vírus e, por isso, devem ser evitados. Manter boa alimentação, usar vestimentas adequadas e ingerir bastante líquido, além de praticar atividade física regular, são hábitos essenciais para a prevenção de gripes e resfriados. Essas duas doenças têm sintomas semelhantes, variando apenas a intensidade e o risco de complicações.
Se os sintomas aparecerem, a chance de ser apenas um resfriado é grande. Menos grave, é também muito mais comum e simples de tratar. Por quatro ou cinco dias permanecerão coriza e obstrução nasal. Neste período pode ocorrer tosse, dor de cabeça, dor de garganta, febre baixa e espirros.
O resfriado é transmitido pelo contato direto de pessoa para pessoa, por meio das gotículas eliminadas ao falar, tossir ou espirrar. Como é viral, não há tratamento específico. Um erro comum é o paciente automedicar-se com antibióticos que, para tratamento de doenças causadas por vírus, serão totalmente ineficazes e poderão mascarar eventuais complicações.
Repouso, alimentação leve, e manter-se bem agasalhado são, sem dúvida, os melhores remédios. Analgésicos e antitérmicos, quando indicados pelo médico, podem melhorar a dor de cabeça e a febre.
Já no caso da gripe, causada por algum dos três tipos de vírus da família influenzae, pode desencadear complicações, até mesmo fatais, se não diagnosticadas e tratadas adequadamente. Grande ameaça à saúde pública, a gripe costuma durar mais de uma semana e, além dos sintomas do resfriado, provoca febre alta, dores pelo corpo e fadiga. Pode também comprometer brônquios e pulmões, levando à pneumonia.
Outras complicações da gripe são a sinusite, otite média, descompensação do diabetes mellitus, agravamento de doenças pulmonares crônicas, da insuficiência e/ou arritmia cardíaca.
Os meios de contágio são os mesmos do resfriado, mas no caso da gripe, há vacina anti-influenzae, que deve ser tomada no período que antecede o inverno, principalmente pelos idosos.
Pelo fato dos vírus da gripe sofrerem mutações constantes, a vacina deve ser tomada anualmente. Embora não confira 100% de proteção, ela evita as formas mais graves da doença, diminuindo o índice de mortes por pneumonia, especialmente entre os indivíduos da terceira idade ou portadores de doenças crônicas, sejam pulmonares, cardíacas ou metabólicas.
A vacina também é indicada para aqueles que possuem deficiência imunológica, como os soropositivos, para médicos, enfermeiros e demais funcionários de hospitais escolas, creches e casas de repouso.
Crianças e gestantes também podem ser vacinados. Porém é preciso estar atento às orientações médicas que são indispensáveis para qualquer pessoa.
Prof. Dr. Antonio Carlos Lopes é presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.
www.diariosbo.com.br - email: editor@diariosbo.com.br