Brasil não está preparado para alta letalidade de gripe suína, diz infectologista

O infectologista Stefan Cunha Ujvari, autor do livro "A História da Humanidade Contada Pelos Vírus", disse em entrevista que o Brasil não está preparado para uma epidemia de gripe suína de alta taxa de mortalidade.
"Se [o vírus] tiver mortalidade baixa, não vai haver tanto impacto na população. Mas se a mortalidade for maior do que a do vírus da gripe normal, não vamos estar preparados", afirma Ujvari, que é médico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.
Na segunda-feira, o diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), José Agenor Álvares, afirmou que não há motivo para alarme no país. A Anvisa disse que o governo brasileiro vai utilizar o mesmo plano de contingência criado em 2006 para combater a gripe aviária, com monitoramento de passageiros provenientes de locais afetados pelo vírus e distribuição de folhetos explicativos sobre a doença.
Ujvari diz que as medidas anunciadas pelo governo são corretas, mas que mesmo assim é muito difícil que o vírus da gripe suína não chegue ao Brasil e, nesse caso, as filas nos hospitais públicos vão aumentar e não haverá leitos suficientes, "não apenas para internação, mas também para isolar os pacientes".
O especialista afirma também que os estoques de medicamentos no país não devem ser suficientes no caso de uma epidemia.
Mesmo sem precisar o número de leitos ou o estoque de medicamentos que seriam necessários para conter uma epidemia, Ujvari afirma que o país não tem estrutura para lidar com o problema. "Já é difícil tratar os casos de dengue."
Mortalidade
A gripe suína é causada por uma versão mutante do vírus H1N1. Diferentemente da gripe aviária, que era transmitida de animais para seres humanos, esse vírus se propaga de pessoa para pessoa.
Segundo Ujvari, ainda é preciso conhecer o vírus um pouco mais para saber sua taxa de mortalidade e o quanto é agressivo.
"O número de casos ainda é muito pequeno", diz o infectologista. "Começou a aumentar em uma região isolada, ganhou outras nações, outro continente. Está se alastrando, e vamos começar a ver os casos."
O atual surto de gripe suína começou no México, onde suspeita-se que mais de 150 pessoas tenham morrido em decorrência da doença, e já se espalhou por outros países.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) já elevou seu nível de alerta para 4, que representa um aumento significativo no risco de pandemia.
Na noite de segunda-feira, o Ministério da Saúde divulgou um comunicado em que afirma que "até o momento não há evidências" da ocorrência do vírus no Brasil.
"O Ministério da Saúde acompanha o estado de saúde de 11 viajantes procedentes de áreas afetadas que apresentaram alguns sintomas clínicos", diz a nota. "Até o momento, nenhuma dessas pessoas preenche a definição de caso suspeito."
De acordo com Ujvari, é essencial diagnosticar os casos rapidamente para conter o avanço do vírus e orientar a população.
Para o especialista, é provável também que haja muitos alertas falsos. "É o pânico da epidemia."


Exercícios para os olhos reabilitam visão com problemas

Há três anos, a tradutora Danielle Macedo, 37 anos, sofreu um grave acidente de carro. Entre as sequelas deixadas pelo episódio, teve parte de seus músculos óticos afetados e desenvolveu estrabismo.
“A sensação é a de que o músculo ficou solto. Parecia que com cada olho eu via uma coisa”, diz.
Como parte do tratamento de reabilitação que realiza no hospital Albert Einstein, em São Paulo, Danielle faz sessões semanais de ortóptica, uma espécie de fisioterapia ocular.
“O ortoptista usa aparelhagem e técnicas específicas para ajudar o paciente a empregar a visão que ele tem da melhor maneira possível”, explica Celina Tamaki, ortoptista de Danielle e membro do Conselho Brasileiro de Ortóptica.
Além de auxiliar em casos pós-traumáticos, a ortóptica pode ser usada para tratar pacientes que tiveram a visão afetada após um AVC (acidente vascular cerebral) ou por doenças como diabetes, câncer e degeneração macular. Ajuda, ainda, a identificar e a tratar anomalias como estrabismos congênitos e visão subnormal.
Em situações que envolvem cirurgias oculares, é usada em avaliações pré e pós-cirúrgicas.
Exercícios
Nas sessões realizadas no consultório, Tamaki estimula a visão de Danielle trabalhando com prismas. Como lição de casa, ela usa um tampão durante parte do dia e faz exercícios focando seus olhos em dedos e lápis por cerca de dez minutos. “Estou sentindo uma grande melhora. Quando olho reto, à minha frente, já vejo uma imagem só”, conta a paciente.
O que pode parecer uma pequena mudança trouxe inúmeros benefícios a Danielle. Focar os dois olhos na mesma direção por um tempo permitiu a retomada do trabalho e a ajudou a realizar algumas atividades básicas, já que, no seu caso, a visão dupla afeta a percepção de profundidade. “Depois do tratamento, consigo me equilibrar melhor e andar em linha reta. Também tenho menos dificuldade para comer e reconheço o rosto das pessoas. Antes, era só pela voz”, conta.
Embora seja acompanhada por outros profissionais, Danielle acredita que, sem a ortóptica, não teria tido os mesmo resultados. “Claro que estou melhorando por causa de todo o tratamento, mas as sessões foram fundamentais.”


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