Uma pesquisa da Universidade do Havaí, nos Estados Unidos, sugere que adolescentes que têm amigos obesos tendem a desenvolver problemas de peso.
A pesquisa, publicada na revista "Economics and Human Biology", descobriu uma forte ligação entre o peso dos adolescentes e o de seus amigos mais próximos.
Os pesquisadores analisaram informações de quase 5.000 adolescentes e muitos deles foram acompanhados depois de um intervalo de dois anos.
A partir daí, os pesquisadores descobriram que as amizades entre os adolescentes tendem a ser feitas em grupos, de acordo com o peso. Isso significa que os que estão acima do peso tendem a permanecer juntos.
Quando os pesquisadores analisaram as mudanças de peso ocorridas durante um período tempo, eles descobriram que ter um amigo gordo pode levar ao ganho de peso.
Segundo os autores do estudo, não é possível afirmar, a partir dessa pesquisa, se adolescentes acima do peso influenciam os amigos para que eles também fiquem acima do peso ou se adolescentes obesos simplesmente escolhem ficar juntos.
De acordo com a médica Sally Kwak, líder da pesquisa, se o ganho de peso de um adolescente leva o amigo de um deles a ganhar peso também, essa passa a ser uma informação importante para os responsáveis pelas políticas de saúde, para a criação de campanhas específicas.
Maus hábitos - Tam Fry, da organização britânica de combate à obesidade National Obesity Forum, afirmou que tudo se resume ao compartilhamento de maus hábitos, como consumir alimentos mais pesados e não praticar exercícios.
"Se você vai jantar com seus amigos que são gordos, você poderá consumir os mesmos alimentos que os tornaram gordos", disse.
Para ele, o contrário também pode funcionar, com crianças magras servindo de bom exemplo.
"Você não vai parar de ver as pessoas só porque elas são gordas, mas você pode influenciar estas pessoas, levando-as para uma vida mais saudável, fazendo uma caminhada em vez de apenas jogar no computador", afirmou.
Uma porta-voz de uma outra organização britânica de combate à obesidade, a Weight Concern, afirmou que as pessoas "aprendem com seus pares e comem com seus amigos, então estes jovens podem estar escolhendo hábitos que não são saudáveis".
"Mas eu não presumiria que adolescentes acima do peso são necessariamente os que têm maus hábitos. A maioria dos adolescentes não tem dietas saudáveis, mas nem todos eles são obesos. E a maioria do consumo de alimentos ainda é feita em casa, com a família", acrescentou.
Homens e mulheres veem diferente por uma questão de programação cerebral derivada de quando os antepassados masculinos se dedicavam predominantemente a caçar e os femininos a colher, segundo um estudo publicado no British Journal of Psychology.
As conclusões do estudo, dirigido pela psicóloga Helen Stancey, são o resultado de uma série de experiências que demonstraram que os homens têm uma maior capacidade de discernir à longa distância e as mulheres focalizam melhor a curta distância.
A pesquisa, segundo os autores, sugere que o cérebro dos homens e das mulheres evoluiu de maneira diferente por causa das tarefas definidas que tinham os indivíduos de cada sexo para garantir a sobrevivência do grupo.
Os homens eram os caçadores e tinham que forçar a vista para as distâncias longas, em busca de presas, o que gerou uma seleção a favor da capacidade para distinguir de longe, enquanto as mulheres, em sua condição de coletoras de frutos ou raízes, se adaptaram melhor à visualização de objetos ao alcance das mãos.
Para demonstrar que há uma diferença de percepção visual em função do sexo, os pesquisadores pediram a um grupo de 48 homens e mulheres que marcassem com um ponteiro laser o eixo central de várias linhas traçadas em uma folha de papel.
O resultado foi que os homens eram mais precisos quando o papel se situava a uma distância de 100 metros e que as mulheres se aproximavam mais do ponto central quando se situava a 50 centímetros.
"Já existia evidência de que houve caminhos separados na maneira de processar cerebralmente a informação visual. Nossos resultados sugerem que a relacionada com as distâncias curtas favorece as mulheres e a relacionada com as distâncias longas os homens", disse Stancey, professora do Hammersmith and West London College.
As cápsulas endoscópicas usadas para a investigação do intestino grosso (cólon) diagnosticam apenas 64% das lesões (pólipos) captadas pela colonoscopia convencional, revela o primeiro estudo multicêntrico que avaliou a eficácia dos dois métodos. O trabalho envolveu oito hospitais europeus e foi publicado no "New England Journal of Medicine".
Essas cápsulas -que medem 31 mm x 11 mm, o tamanho de um multivitamínico- carregam uma microcâmera de vídeo e são ingeridas com água.
Enquanto percorrem o sistema digestivo, enviam as fotos captadas para um gravador, conectado à cintura do paciente.
O computador processa as imagens capturadas, e o médico as analisa como se fossem um filme. Além do cólon, são usadas para apontar lesões no esôfago e no intestino delgado.
Anunciada como um exame menos invasivo e que poderia substituir a colonoscopia tradicional -exame endoscópio que permite a visualização do interior do cólon, mas que demanda sedação e anestesia-, a cápsula de cólon é usada há pelo menos um ano no Brasil, mas não é coberta nem pelos planos de saúde nem pelo SUS. Em serviços privados, o exame custa em média R$ 4.500. O médico Miguel Muñoz Navas, diretor do departamento do sistema digestivo do hospital da Universidade de Navarra (Espanha) e coordenador do estudo, explica que o trabalho quis determinar se a cápsula era igualmente eficaz em relação à colonoscopia para localizar pólipos e tumores de cólon.
Segundo ele, os resultados mostram que a técnica precisa ser aprimorada para se igualar à colonoscopia. Um dos pontos seria a necessidade de aumentar o número de imagens capturadas por segundo -hoje são quatro- e melhorar o ângulo visual para captar "pontos cegos" do intestino que não são localizados pela atual cápsula.
O cirurgião gastrointestinal Pablo Miguel, de Porto Alegre (RS), um dos primeiros a trabalhar com a técnica no Brasil, diz que a fabricante israelense prometeu, para até o final do ano, uma versão atualizada da cápsula de cólon.
"Eles prometem trazer tudo o que se espera de um exame de cápsula de cólon que substitua a colonoscopia convencional", diz Miguel. Segundo ele, esse tipo de exame pode ser muito benéfico para doentes crônicos, que têm riscos com a sedação.
O cirurgião oncológico Benedito Mauro Rossi, do Hospital A.C. Camargo, especialista em câncer colorretal, considera que a cápsula de cólon esteja longe de substituir a colonoscopia convencional.
Nem ela nem outras técnicas de imagem -como a colonografia por tomografia- conseguem examinar o cólon e, ao mesmo tempo, fazer a biopsia de lesões suspeitas, como faz a colonoscopia, explica o médico.
"Elas fazem o diagnóstico, mas depois a velha colonoscopia entra para tirar e biopsiar." Segundo Pablo Miguel, no futuro, uma das inovações prometidas pela indústria é a possibilidade de a nova versão da cápsula, quando encontrar uma lesão suspeita, disparar uma agulha e fazer uma biopsia do material suspeito.
Outra limitação da cápsula, na avaliação do gastroenterologista e endoscopista Ângelo Ferrari Júnior, do hospital Albert Einstein, é o método exigir um preparo semelhante à colonoscopia, mas não captar lesões menores no cólon como faz a técnica tradicional.
"A cápsula vai registrando o que está no seu trajeto, não há um controle das imagens. Já na colonoscopia, o médico vai e volta várias vezes no mesmo trajeto e consegue melhores resultados", diz Ferrari Júnior. Para ele, a grande vantagem da cápsula é o fato de o procedimento não ser invasivo e, em razão disso, menos arriscado.
Na colonoscopia tradicional, há riscos associados à anestesia, como arritmias cardíacas e insuficiência respiratória. Os especialistas garantem que o melhor resultado das cápsulas é na avaliação do intestino delgado, região de difícil acesso e onde os métodos convencionais não chegam. "Hoje é o exame de maior especificidade que existe. O intestino delgado é uma área onde a endoscopia não consegue atingir, nem por cima e nem por baixo", reforça Pablo Miguel.
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