A não-obrigatoriedade do diploma em jornalismo

Marília Cardoso

Um dos assuntos mais polêmicos da comunicação ultimamente tem sido a decisão do Supremo Tribunal Federal que decretou a não-obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalismo. Muitos jornalistas foram às ruas protestar; outros manifestam sua insatisfação nas redes sociais. Entretanto, alguns até defendem a atitude.
A questão é bastante complexa. Há muito tempo pessoas sem formação atuam em grandes e pequenas redações. A experiência cotidiana e o talento para a coisa fizeram com que eles estivessem numa situação ilegal até então. Com a decisão, muitas empresas jornalísticas puderam finalmente regularizar o registro desses profissionais.
Mas, se por um lado agrada, de outro desagrada, e muito. Em primeiro lugar, os líderes de uma nação devem defender impreterivelmente a educação e a formação profissional em vez de louvar quem se orgulha de nunca ter se sentado numa cadeira universitária.
Liberdade de expressão nada tem a ver com o sucateamento dos meios de comunicação. Para crescer e progredir, um país necessita de um povo bem informado, culto, que seja capaz de decidir os rumos da nação por meio daqueles que elege.

Entretanto, é preciso deixar claro que o jornalismo por si só é uma profissão incompleta. Não podemos ser profissionais generalistas, daqueles que cobrem a editoria de política pela manhã, substitui o editor de moda que faltou e comenta o jogo de futebol à noite.
Se a categoria enfrenta esses problemas agora, sendo totalmente desvalorizada e enfraquecida, foi porque de certa forma, nós falhamos. Erramos em ser superficiais demais, em acharmos que somos super-heróis e por falarmos besteiras em áreas que não nos especializamos.
A grande contradição do Supremo Tribunal Federal está em achar que os jornalistas podem ser facilmente substituídos por profissionais de outras áreas ou até pelos sem formação. Não é nada disso. A saída não está na negação aos estudos e sim no investimento que se faz nele.
Todo jornalista precisa buscar sua especialização. Quem cobre esportes deve entender profundamente a área e não ficar limitado somente ao futebol. Os de moda devem estudar o assunto a fundo tornando-se quase estilistas. Os de saúde precisam deixar de se acharem médicos depois da terceira ou quarta entrevista com um especialista.
Aos que pensavam em estudar jornalismo e aos que já estudam só posso dizer uma coisa. Estudar sempre vale a pena. A vivência diária no jornalismo é essencial, mas não é possível acreditar em prática sem teoria. Todo profissional precisa passar por uma universidade. O berço acadêmico é e continuará sendo o melhor antídoto contra a falta de profissionalismo.
Às universidades, que hoje reclamam e já começam a prever e amargar prejuízos com a redução da procura pelo curso, também tenho algo a dizer. Peguem o caminho oposto. Em vez de simplesmente suspenderem o jornalismo de suas grades, incluam cursos de especialização nas mais variadas ramificações da área. Façam com que os jornalistas sejam profissionais insubstituíveis.
Se investirmos mais na educação em vez de apenas ignorá-la, teremos mais qualidade nas informações que recebemos diariamente pelos jornais, revistas, rádio, televisões e internet. Mas, lembre-se que estamos sozinhos nessa. Autoridade nenhuma se interessa por uma imprensa bem treinada. Ter bons profissionais atuando significa nada mais, nada menos que ver seus atos secretos caírem na boca do povo. E isso só não atinge quem não está nem aí para a opinião pública.

Marília Cardoso é jornalista, pós-graduanda em comunicação empresarial e fundadora da InformaMídia Comunicação.


A sustentabilidade do concreto

Janaina Nogueira Muller

Apesar de ainda não ser uma realidade perceptível na Baixada Santista, cada vez mais, construtoras, incorporadoras e até vendedoras de empreendimentos imobiliários começam a adotar em seu modelo de negócio os princípios que norteiam a Responsabilidade Socioambiental, e firmar no mercado o compromisso de seus empreendimentos com a sustentabilidade.
Um dos grandes desafios é não tão somente conscientizar as empresas do seu papel econômico social no novo quadro estabelecido, mas principalmente promover e fomentar essa consciência de forma a ampliar a discussão em torno da questão ambiental, relacionando-a à responsabilidade social empresarial e ao desenvolvimento sustentável.
A última pesquisa realizada pela Setor3 Consultoria, apontou que 80% dos santistas sabiam quais eram as empresas que desenvolviam políticas de responsabilidade sócio-ambiental, 54% dos entrevistados demonstraram optar por empresas que possuem ações que preservam o meio-ambiente ou acolhem projetos sociais antes de comprarem seus produtos ou contratarem seus serviços.

O que nos surpreendeu é que não foram citadas nenhuma construtora ou incorporadora atuante na região, mesmo sendo apontada na mesma pesquisa como uma problemática a ser debatida acerca dos conflitos da expansão desses empreendimentos na cidade e seus impactos no meio ambiente e na comunidade.
A multiplicação de construções que levam em conta a sua sustentabilidade se tornou uma tendência mundial. Até abril, havia 2 706 edifícios em todo o planeta com certificação Leadership in Energy and Environmental - Leed, que pode ser traduzida como Liderança em Energia e Design Ambiental -, uma das mais conceituadas nessa área. Outros 22 863 prédios aguardavam a análise do U.S. Green Building Council - USGBC, organização não lucrativa responsável pela concessão do título.
Os edifícios ecológicos, que já começam a aparecer nas cidades brasileiras, usam múltiplas tecnologias para economizar energia e água. Nem por isso são menos eficientes ou confortáveis do que os prédios tradicionais.
As empresas dizem adotar causas sociais e ambientais, mas inúmeras vezes esse conceito foge de qualquer avaliação em prol da sociedade, e passa a ser mera publicidade. De qualquer forma, a comunidade da região está mais atenta aos impactos desses empreendimentos, e o compromisso com a sustentabilidade passará além dos empregos gerados pelos arranha-céus que estão sendo erguidos, para a observância das necessidades sociais e ambientais que estão sendo geradas, e por que não, para a perpetuação da boa reputação que se espera desses líderes do concreto.

Janaina Nogueira Muller, Advogada, formada pela Universidade Metropolitana de Santos,MBA pela Fia/USP- Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo em Gestão Coorporativa e Responsabilidade Social, Gestão de Projetos Sociais e Organizações do Terceiro Setor. Curso na ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas- Sistema de Gestão Ambiental- ISO 14001:2004. Sistema e indicadores dos Relatórios GRI - Global Reporting Initiative- Instituto Ethos de Responsabilidade Social. Especializada e atuante em diversos segmentos das esferas públicas e privadas, com profundo conhecimento em gestão corporativa, Responsabilidade Socioambiental e gestão de Organizações do Terceiro Setor. Atualmente, como Diretora da Setor3 Consultoria, presta serviços especializados a dezenas de Organizações não Governamentais (OSCs) e empresas espalhas pelo Brasil.


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