Fofocas na nossa praça

Oswaldo Vicentin

Tempo de frio. Mesmo assim a praça central estava engalanada. Com suas árvores, seus bancos, suas pombas. O que não falta é pomba. Pombas! Compro o jornal. Sento em um dos bancos. Gente que passa. Um oi daqui, e uma oba, de lá. Fieis que procuram a igreja a fim de aliviar seus problemas. Uns cheios de fé com pedido ao santo devoto para arrumar-lhe emprego. Outros apelando ao santo dos endividados. Jovens encalhadas implorando ao Santo Antonio casamenteiro, para arrumar um companheiro. E assim por diante. Já que sentei num dos bancos para ler o jornal, chegaram dois senhores. Aliás, os mesmos fofoqueiros de tempos passados.

- Dá licença moço? Disse o gentil senhor.
- À vontade. E, obrigado pelo moço. Respondo.
Não demorou a começar o bate papo:
- E Então, Ditão, como vai a vida? E a política?

- Caramba! Meu caro Pedrão, você viu o circo no Senado? Aquilo está ficando cada vez mais vergonhoso e péssimo exemplo para nosso Brasil! -O Senadores Renan Calheiros e Tasso Jereissati, trocaram farpas, apelaram pela baixaria. "Coronel de merda". Disse Calheiros. "Cangaceiro de 3ª.categoria"! Respondeu Jereissati. Também concordo com os dois! E, o tal de Sarney, com a maior "cara de pau", não faz aquilo que todos pedem, ou seja: Renunciar o mandato!. Com tantos projetos a serem aprovados em beneficio do povo, eles ficam fazendo esse espetáculo.
- Mas, isso é bom para o povão saber. Nas próximas eleições vamos derrubá-los. Para aumentar a imoralidade pública, dizem que está para ser aprovada a lei que aumenta o número de vereadores. Isso é um absurdo! Nós estamos precisando diminuir o número de vereadores. Chega os que estão aí. Afirmou Pedrão.
- Pelo que estou sabendo a Câmara de Vereadores desta cidade está quase seguindo o exemplo do Senado. Quase não se ouve falar em projetos úteis à população. Mas, mudando de assunto, meu Caro Pedrão. O que você acha dos transportes de passageiros?
- Pelo que sei, está havendo muitas reclamações com a Viba referente aos ônibus velhos, parecendo os caixas eletrônicos da Caixa Econômica Federal desta cidade. Estão sempre em manutenção. Está na hora de serem removados. Apesar das reclamações, não surgiu ninguém para ver essa calamidade, muito menos algum vereador.
- Tem razão Pedrão, o papo está bom. Mas estou curioso. Que fim deu a sua bela vizinha Suzaninha? A Mulher Samambaia! Ah, ah.
- Se te contar você vai rir. Já te disse em outro dia. A Suzaninha, alem se assemelhar a Mulher Samambaia, tem o mesmo jeito daquela atriz da novela Caminho das Índias, a tal de Norminha.
- E daí? Quis saber Ditão.
Então, todas tardinhas ao anoitecer a bela Susana, a Mulher Samambaia saia para apanhar o ônibus com destino à escola. Passava sempre olhando para todos, sorrindo, rebolando, expondo seus dotes sensuais provocando os marmanjos! Os maridões ficavam nas janelas, excitados, observando, piscando, etc. Outro dia a mulher do Juca, o flagrou todo dengoso olhando e acenando para Suzaninha. Daí foi o "pau quebrou"! A mulher rodou á moda baiana, botou a boca no trombone! As vizinhas foram solidárias. Todos maridões levaram beliscões, puxões de orelhas. Agora quando Suzaninha desfila pelas ruas, todas as janelas estão fechadas. Os homens estão de castigo. Greve das esposas!
- Essa é boa. Gostei meu amigo Pedrão! Agora você tem que se contentar com a Mulher Abóbora! E vê se capricha! Ah, ah.
- Quando lembro da Mulher Samambaia, a Suzaninha, capricho mesmo! Ah, ah. Respondeu Pedrão.
Que bom ouvir esses fofoqueiros! Mas, a Agência da Caixa continua uma calamidade!
Oswaldo Vicentin- Contador e colaborador.


Mudar para permanecer como está

Eliane Belfort

O Brasil importou há duas décadas os conceitos de Responsabilidade Social e introduziu na sua agenda. Mas, com a crise econômica, vimos "ruir" os seus pilares: Ética, Transparência e Governança Corporativa. A Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental está convocando empresários, juristas, diplomatas, acadêmicos, especialistas, governos e a sociedade civil organizada para discutir, sob a luz do interesse do nosso País, esse e outros temas
No Brasil, completamos seis meses da chegada da crise mundial. Aqui, totalmente partidarizada - algumas vezes sob a capa da analise técnica, outras, por puro exercício de "achismos" -, temos a percepção, dependendo do analista de plantão, de que saímos da crise melhor do que entramos. Ou que se trata de uma questão de tempo para que a economia, artificialmente inflada, leve-nos de vez para o buraco do qual saímos, por pura sorte e pelos bons ventos soprados pela economia mundial.
Achar o equilíbrio nesse jogo político é um exercício interessante. Até porque extrapola as nossas fronteiras. E como é sempre bom ouvir elogios, gostamos de saber que somos presididos pelo "O Cara"; ou que sairemos da crise como a quarta economia do mundo; que o Brasil, finalmente, encontrou seu futuro... Queremos acreditar. Mas, mais que acreditar, gostaríamos de investir, não nos sonhos, mas na realidade, pois a crise vai se acomodando no mundo todo e pouco se ouve falar sobre como coibir suas principais causas.
Os aspectos éticos e morais, tão difundidos e questionados pelo mundo civilizado - quando se trata de "apontar o dedo" para os países em desenvolvimento -, continua em riste. É pronto e rápido. Mas, pedir que tratem de suas mazelas internas: "isso é que não!", diz o Leão, como na história infantil, na qual o mais forte dita as regras, mas não as segue.
Há duas décadas importamos os conceitos de Responsabilidade Social e introduzimos na nossa agenda. Mas, na crise, vimos "ruir" os seus pilares: Ética, Transparência e Governança Corporativa.
Por sorte, fomos aprendendo que as empresas e o Terceiro Setor, sozinhos, não seriam capazes de minimizar os efeitos sociais perversos da Globalização, como faziam crer aqueles que defendiam que o mercado tudo regula. Aprendemos que a Responsabilidade Social não pode estar afastada da empresa: tem que fazer parte do negócio.
Aqueles que, ontem, defendiam a livre regularização dos mercados, hoje, mudam o foco e defendem uma economia "mais verde" no pós-crise. Nada contra uma economia mais verde. Aliás, tudo a favor. Mas sem esquecer da Ética e da Responsabilidade Social, para alcançarmos a verdadeira sustentabilidade. Espero que, dessa vez, não tenhamos que passar mais 20 anos para perceber, como no caso da propalada Responsabilidade Social, que as regras vieram "de encomenda" para os países em desenvolvimento.
Pois, se o jogo econômico do pós-crise fosse igualitário e inclusivo - como se quer fazer crer -, os Estados Unidos e a União Européia teriam incluído, na lista dos 43 produtos que terão suas tarifas comerciais eliminadas por serem benéficos ao Meio Ambiente, o Etanol. O Etanol não está sendo considerado como produto que combate a emissão de gás carbônico, logo, não faz parte da lista.
Aliás, essa lista, em sua maioria, é composta por tecnologias, partes e peças, para a produção de outras formas de energia limpas, cujos processos os países do BRICS não detêm. Com tarifa zero, estarão "ajudando os pobres" na diminuição de suas emissões de carbono. Na mesma proporção, impondo barreiras ambientais e sociais aos produtos desses países.
E, enquanto internamente preocupamo-nos com um ponto a mais ou a menos do Produto Interno Bruto (PIB) de 2009/2010; com o investimento internacional na Bovespa; se o capital especulativo deve ou não ser taxado; ou nos deliciamos com o sucesso do modelo de regulação bancário brasileiro, que deveria ser copiado pelo mundo todo... Em silêncio, e organizadíssimos para Copenhague, os Estados Unidos e a Europa, mais uma vez, imporão a estratégia do "mundo desenvolvido" clamar por mudanças para permanecer como está; para prevalecer a relação de supremacia econômica, política e social.
Dessa vez, a nobre causa é a salvação do mundo e das várias espécies de vida, inclusive a humana. Porém, novamente, os países em desenvolvimento ficarão dependentes dos produtos e serviços dos países ricos, agora, para atender a chamada "Economia Verde".
A Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental está convocando empresários, juristas, diplomatas, acadêmicos, especialistas, governos e a sociedade civil organizada para discutir, sob a luz do interesse do nosso País, esse e outros temas. Para induzir ao desenvolvimento sustentável, com equilíbrio econômico, social e ambiental, mas pela ótica universal, considerando e respeitando o conhecimento e as tecnologias de qualquer parte do mundo dito civilizado, em especial, aquelas que, além de verde, sejam "verde e amarelo".
Eliane Belfort é empresária, Diretora-titular do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) e Vice-presidente do Conselho Superior de Responsabildade Social (Consocial) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)


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