Milton Dallari
Ser Pai é compartilhar sentimentos e sonhos com aqueles a quem você deu a vida. Além da força do exemplo, mais vale um gesto de carinho e convivência do que mil palavras. Se você tem um filho ou uma filha adolescente, deixe por um momento as preocupações diárias de lado, sente a seu lado e reviva as melhores lembranças da infância deles. Com certeza absoluta, eles mencionarão as brincadeiras conjuntas, os passeios ou mesmo aqueles vibrantes jogos de videogames. O ato de brincar com o filho ou filha é um ato de amor. Talvez seja a base de toda educação que fará deles homens ou mulheres de verdade, seres humanos felizes e profissionais preparados para o mercado de trabalho.
Muito mais do que o patrimônio material que você tenta acumular para deixar aos filhos como herança, saiba que eles levarão para a vida os seus exemplos e o seu companheirismo. Não importa a idade deles. Você, Pai, é quem deve encontrar os espaços ideais para entrar na vida dos filhos, nas suas preocupações diárias, para ouvir e orientar. Os psicólogos são unânimes em afirmar que um dos maiores motivos da desintegração familiar é o distanciamento dos Pais quando não sabem o que os filhos fazem e pensam.
Em uma sociedade em constante processo de transformação, você, Pai, é forçado a se reinventar diariamente e, queira ou não, você é forçado a mergulhar nesse processo para se manter no mercado de trabalho. Pois bem, estar atento às mesmas transformações que acontecem no âmbito familiar para agradar à mulher e aos filhos é o grande desafio, o segundo grande pilar, na construção da felicidade.
É óbvio que essa "entrega" à vida familiar exige uma mudança de conceitos e comportamentos - muitas vezes em conflito com a idéia de que se trata de uma perda de tempo. Não há perda, tenha certeza. Inversamente, não há frustração maior, hoje e amanhã, às vésperas da aposentadoria, do que perceber que foi inútil a opção de pensar em construir riquezas. Os filhos distantes (quando não atingidos por problemas que você não soube ajudar a resolver) deixarão um sentimento de vazio, de acabar sozinho.
Nestes dias em que a figura do pai está mais em destaque, pense em algumas atitudes práticas. Permita-me algumas dicas: acompanhe mais a vida escolar dos filhos (resolva com eles um problema de matemática, de português ou história); procure acompanhá-los em seus divertimentos preferidos (um jogo de futebol, um passeio de bicicleta); mergulhe nas atividades deles no mundo da internet (conheça suas comunidades e seus blogs, respeitando os segredinhos, mas dando conselhos). Aproveite esse período em que será - ainda mais - o centro das atenções de seus filhos para afrouxar a gravata, aliviar as rugas de tensão que movem esse estressante "mundo adulto". Livre-se de preocupações trabalhistas, pendências financeiras, compromissos empreendedores. Empreenda sim, atenção exclusiva a esse tesouro tão valioso que está sob seus olhos.
Enfim, o importante é você se conscientizar de que a felicidade pode estar mais perto do que parece. Comece a brincar, a trocar mais idéias. Os filhos serão eternamente gratos e darão sentido a sua dedicação. É o Pai que terão presente em suas vidas, mesmo quando você já não estiver entre eles.
Milton Dallari é diretor de administração e finanças do Sebrae-SP, conselheiro da Associação dos Aposentados da Fundação Cesp - e pai
(Rousseau).
Alonso de Oliveira
Deus de todos e de cada um. E ao mesmo tempo. O homem é posto a ferros a cada momento por todos os sistemas políticos, econômicos e sociais. Naturalmente livre, por que precisa se submeter ao domínio de outrem? Necessidade de viver social e organizadamente, dizem os entendidos... E ser controlado pelo sistema.
A respeito de Deus, ele não precisa de explicação; sequer é preciso que se creia nele; ele existe simplesmente... E toda a obra da criação e da existência tem de ser atribuída a alguém: necessariamente a ele. Por isso é bastante comum ver-se em adesivos: "Deus sem você é Deus. E você, sem ele, o que é?".
Não obstante, o homem vive criando sistemas para aprisionar Deus neles. O homem deseja que a compreensão absoluta a respeito de Deus e que toda a obra da existência e de sua criação se dê muito mais por tudo aquilo que ele imagina ou pense ser verdadeiro.
Daí os budistas terem o próprio conceito do que seja Deus e sua obra; os hinduístas também, os islâmicos idem. Os evangélicos não fogem à regra; os pentecostais até cantam "o meu Deus...".
Crer que Cristo seja filho de Deus? Islâmicos o esperam ainda. Judeus aguardam a vinda do Messias...
Há até quem mate ou morra por causa de Deus... Mesmo sabendo que cabe a ele tirar a vida, não importando o motivo ou a maneira.
Há os que creem até que Deus não deva existir por permitir que haja tamanha injustiça, que admita vicejar a violência por todos os cantos, inclusive nos lares santos e amados...
Violência da bala perdida que atinge uma criança ou um idoso que assiste pacífica e passivamente à tevê. Violência das palavras não ditas, dos gestos que dizem muito mais que as palavras, do cenho franzido que expressa ódio muito mais mortal que o de uma bala desferida por uma arma. Mesmo as que disparam por acidente... Ou, ainda na (in)tolerância compulsiva e infindável.
Assim, os homens da antiguidade descobriam não haver o nada no infinito da infinitude do mundo microscópico, muito menos viam o fim na infinitude do mundo infinito. Ficavam perplexos ante a sua magnitude, sentindo-se o tudo ante o nada que não existe e o nada em relação ao infinito que não conhece.
Com todos os avanços da modernidade, pouco ou nada avançaram em relação aos que os antigos conquistaram no campo do conhecimento, mercê de seus parcos recursos; entretanto, Deus lá estava e continua ainda hoje, igual. Acessível, ao alcance de qualquer um, prescindindo de qualquer tecnologia, qualquer sistema, qualquer interpretação. Só é necessário compreensão. Só isso.
Só? Como na propaganda do cartão de crédito: camisa de grife, R$200,00; computador de bordo, R$4.500,00; i30 da Hyundai, R$85.000,00. Compreensão? Não tem preço!!! Inacessível.
Alonso de Oliveira, jornalista. Foi secretário de Administração, coordenador de RH e diretor de Suprimentos da prefeitura de Americana.
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