Marcos Morita
Passados alguns meses após a condenação da empresária Eliana Tranchesi, da luxuosa Daslu, acusada pelos crimes de formação de quadrilha, fraude em importações e falsificação de documentos, fomos novamente surpreendidos por um caso análogo envolvendo outra personalidade do luxo, Tânia Bulhões, proprietária da loja de mesmo nome localizada nos Jardins, bairro nobre de São Paulo. Para completar, na semana passada a loja de bolsas e sapatos Franziska Hübener, que fica no Shopping Iguatemi, um dos mais luxuosos da capital paulista, passou por uma operação de busca e apreensão sob a acusação de crime contra a ordem tributária.
O tema polêmico levanta inúmeras discussões tributárias. Carga excessiva de impostos, custo Brasil, tributos em cascata, superávit primário, peso sobre a economia e etc. Efeitos e causas de uma equação desfavorável às empresas e empresários brasileiros.
Como especialista em negócios, trago a discussão à arena da estratégia. Michael Porter, guru em administração, já sugeria que as empresas para competir e se manter numa posição sustentável, devem eleger uma estratégia ou uma combinação de estratégias genéricas - que inclui custo, diferenciação ou foco. Traduzindo, o empresário deve responder a duas questões essenciais: quem serão nossos clientes e de que maneira os atenderemos.
Hipermercados, feiras livres, postos de combustível, borracharias, restaurantes a quilo, são negócios que atendem muitos clientes, das mais variadas classes sociais. O apelo está na localização, rapidez, comodidade e principalmente preço, adotando a estratégia de custo.
Cinemas, parques de diversão e shoppings centers compartilham a estratégia de diferenciação. Aqui a preocupação está em oferecer conforto, lazer e segurança, através de aspectos que os diferenciem da concorrência.
Produtos orgânicos, empórios, bistrôs, serviços e produtos voltados à terceira idade, encaixam-se na estratégia de foco, através da qual a empresa define um segmento alvo a ser atingido, seja ele custo ou diferenciação.
Daslu, Tânia Bulhões e Franziska Hübener tinham suas estratégias genéricas muito bem definidas. Atender a um nicho específico da população, composto por empresários, políticos, artistas e altos executivos. Pelo perfil de seus clientes-alvo, souberam investir em diferenciação muito bem. Todas são sinônimos de luxo, grifes, exclusividade, glamour e preços altos. Foco com diferenciação.
Esta análise das estratégias genéricas demonstra um modelo de negócio interessante, o qual aliado à classe AA crescente, a chegada de várias grifes internacionais ao país e o crescimento do mercado do luxo internacional. Entretanto, surge a pergunta: Havia necessidade de práticas pouco convencionais para a manutenção e sobrevivência do negócio? Só as proprietárias poderão responder.
Independente do desfecho, as imagens construídas foram impiedosamente arranhadas e ouso dizer que todas perderão dois tipos de público. Os éticos, por não concordarem com tais atitudes, e até os não-éticos, que ficarão com medo de serem descobertos.
Que continuem as operações Narciso, Porto Europa e tantas outras que porventura venham a ocorrer para o bem do país, da ética e da competitividade justa entre as empresas. Afinal não há estratégia genérica que possa concorrer com esquemas ilícitos de subfaturamentos, sonegação fiscal e pagamentos por fora. A lei existe e deve ser cumprida por todos.
nMarcos Morita é mestre em administração de empresas e professor das disciplinas de planejamento estratégico e gestão de serviços na Universidade Presbiteriana Mackenzie. É executivo há 15 anos em multinacionais, com experiência em canais indiretos de vendas, lançamento de produtos, criação de novos negócios e programas de fidelidade.
Odair Dias
Enfim, ações para a preservação do meio ambiente estão ganhando força, mas ainda é necessária a conscientização da população sobre os males que causamos a cada instante.
Ao buscar um pouco mais de conhecimento sobre as sacolas plásticas e o impacto ambiental gerado pelas mesmas, pude constatar que a situação é verdadeiramente alarmante: o Brasil consome 12 bilhões de sacolas plásticas anualmente, enquanto no mesmo período, nosso planeta consome mais de 500 bilhões. Isso significa que no mundo são consumidos aproximadamente 1 milhão de sacolas plásticas por minuto, as quais são produzidas à base de petróleo, um combustível fóssil não renovável, pois é formado pela decomposição de matéria orgânica através de um processo que leva milhares de anos e, por tal motivo, não se renova ao longo da escala de tempo humana, ainda que ao longo de uma escala de tempo geológica esse combustível continue a ser formado pela natureza. Automaticamente, quanto mais escassa a matéria, mais elevado torna-se o seu valor, mas o mais alarmante é o que as sacolas plásticas proporcionam ao meio ambiente e consequentemente aos seres humanos.
Entre vários exemplos positivos, é possível citar a China, que conseguiu em apenas um ano economizar mais de 36 milhões de barris de petróleo com a substituição de sacolas plásticas por retornáveis.
São diversas correntes defendendo de diferentes maneiras a permanência das sacolas plásticas. Existem aqueles que sugerem a fabricação de sacolas mais resistentes e que veem nisso uma suposta redução de consumo, mas se esquecem que para isso será necessária uma maior quantidade de matéria-prima e que a cada momento aumenta nossa população. Sendo assim, estaremos apenas mascarando o problema temporariamente.
Outra argumentação favorável às sacolas é a sua utilização para o transporte de compras. Realmente, nos anos 70, quando elas surgiram, houve grande mudança no hábito de transporte de compras, facilitando o manuseio e abolindo as sacolas plásticas retornáveis e as de tecido. Porém, assim como houve mudança no período mencionado, agora é preciso que tenhamos modificações para que continuemos a preservar nossa qualidade de vida e garantir o meio ambiente para as próximas gerações. A inofensiva sacolinha, que nos gera a economia e praticidade no armazenamento do lixo, leva mais de 400 anos para se decompor no meio ambiente.
Para exemplificar o poder da tão popular sacolinha plástica de PVC, basta lembrarmos do famoso e dramático caso da baleia anã encontrada morta na costa da Normândia com aproximadamente 800 quilos de sacos de plástico em seu estômago. O mesmo acontece com milhares de golfinhos, tartarugas e aves marinhas.
Para os que defendem que os sacos plásticos devem ser queimados para evitar que chegem aos rios, resta informá-los que tal prática gera efeitos tóxicos, contribuindo com o efeito estufa, responsável pelo aquecimento global e mudanças climáticas, além de contaminar solos e mananciais.
No momento, várias indústrias de sacos plásticos estão em busca de novas tecnologias para reduzir ou eliminar o impacto ambiental causado pelo produto, porém, existem divergências quanto ao substitutivo. É o que tem acontecido com as sacolas oxibiodegradáveis, que têm aparência semelhante às comuns, tempo de degradação de aproximadamente 18 meses, mas com impacto ambiental questionável.
Mas, diante de tanta discussão, podemos concluir que as sacolas plásticas precisam ser substituídas. Se serão sacolas ecológicas, compostáveis ou retornáveis, é importante que tenhamos consciência e comprometimento com essa causa socioambiental, que é de interesse de todos. A conscientização por meio de campanhas, juntamente com a criação de regras e leis pavimentarão a estrada para se obter o resultado desejado, mas isso de nada adiantará se não houver cumplicidade da população, dos fabricantes e do poder público.
nOdair Dias, Pedagogo e Vereador de Americana pelo Partido Verde
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