Semana da Família

PADRE JOSÉ CIPRIANO

Estamos celebrando em todas as Igrejas do Brasil "A Semana da Família," com o Ano Catequético, recordando as famílias são as primeiras catequistas dos filhos e educadoras da fé cristã. Em todas as paróquias de nossa cidade, esta havendo reflexões, debates, celebrações sobre esta semana, que o cristão não pode ficar a deriva desses momentos importantes da igreja.
O tema deste ano esta centrado: "Família, Igreja casa e caminho para o discipulado". No matrimônio cristão está a base de toda vocação da vida cristã, sendo os pais mestres e educadores dos filhos, levando-os a uma maturidade da fé.
No campo social vemos que a família sofreu transformações profundas de seus valores até mesmo mediante a cultura, projetando uma "cultura do prazer". Diz o papa João Paulo II: "a família atingida pela praga do divórcio, das uniões livres, do aborto, sexo seguro, da produção independente, dos casamentos de pessoas do mesmo sexo, dos preservativos, da eutanásia, fruto de uma sociedade mergulhada no consumismo e no utilitarismo. Toda a desordem moral vem cair na família e seus amargos frutos caem na sociedade".
A Igreja vê a família hoje ameaçada, por meios poderosos, apostando na desagregação, e contradizendo a verdade e o amor
O papa João Paulo II refere-se a família: como "Santuário da Vida" Santuário "lugar sagrado", onde a vida humana surge como de uma nascente sagrada, e é cultivada e formada. É missão da família, guardar, revelar e comunicar ao mundo o amor e a vida.
O Concílio Vaticano II já tinha chamado a família de "Igreja Doméstica" (LG,11) onde Deus reside, e é reconhecido, amado, adorado e servido. O homem e a mulher são chamados por Deus para comunicar a ação criadora de Deus, e a construção mútua de ambos. A santidade do matrimônio e sua grandeza, Deus torna o homem semelhante a si, como fonte criadora, dotado de inteligência, vontade e liberdade.
A liberdade que Deus dá ao homem de viver a responsabilidade, na missão a qual foi chamado, não frustrando o plano do criador, caindo no pecado, na omissão ou na perversão. Deus deu ao homem viver sua opção, por isso vai dizer no Deuteronômio 30,19-20: "Ponho diante de ti a vida e a morte,a benção e a maldição. Escolhe, pois a vida, para que vivas com a tua posteridade, amando o Senhor teu Deus, obedecendo sua voz e permanecendo unido a ele".
A liberdade é o dom maior que Deus concede a todos, para que seja feliz, esta na mão do homem a escolha. Desde que existe a humanidade existe a família e ninguém jamais a pôde ou poderá destruir, pelo fato que ela é divina, isto é instituída por Deus, para sempre.
O homem e a mulher foram marcados por Deus na obra da criação com uma única benção que nunca foi abolida, nem pelo castigo do pecado original ou de outra transgressão, pois Deus santificou o primeiro casal. Passaram-se os tempos e até nos dias de hoje este sinete, divino esta impresso na vida do casal e da família. Ninguém jamais poderá destruir a força da família por ser uma instituição divina.
Jesus quando veio até nós, assumiu a natureza humana, quis nascer de uma família.
Nesta semana as famílias cristãs, façam um esforço de participar de sua comunidade, buscando um pouco do sentido do matrimônio cristão, e os valores da família.
Que Deus abençoe as famílias.

Padre José Cipriano é pároco da Igreja Bom Jesus.


O Imposto Único em discussão

Marcos Cintra

No último mês de julho lancei nos Estados Unidos o livro intitulado Bank transactions: pathway to the single tax ideal. A obra, disponível em www.amazon.com/books, apresenta uma análise sobre tributação no mundo globalizado, marcado pela tecnologia da informatização e pelo total domínio da moeda virtual sobre a moeda manual. O estudo mostra que neste ambiente a experiência do Brasil no campo tributário se reveste de particular interesse, visto que adotou, durante cerca de doze anos, um sistema de cobrança de impostos baseado nas movimentações financeiras nos bancos.
O trabalho de pesquisa abrange a experiência do país com a CPMF e analisa, qualitativa e quantitativamente, o impacto distributivo e alocativo de um imposto sobre movimentação financeira na economia brasileira. Com base no teorema do "second best" a obra demonstra que esse tipo de tributo, mesmo cumulativo, pode ser preferível do ponto de vista social comparativamente a um incidente sobre o valor agregado, se as alíquotas nominais exigidas para uma determinada meta de arrecadação forem significativamente mais baixos, como de fato ocorre na prática entre um imposto sobre valor agregado e outro sobre movimentação financeira.
O livro apresenta também os principais problemas do atual sistema tributário do país, como a sonegação e o elevado custo administrativo que ele impõe à sociedade, e refuta as críticas usualmente desferidas contra o projeto do Imposto Único como, por exemplo, a questão dos impactos distorcivos causados por sua cumulatividade.
Um aspecto a destacar se refere à comparação do impacto alocativo entre o modelo do Imposto Único sobre a movimentação financeira e o sistema tributário convencional baseado nos tributos sobre o valor agregado. Para isso, as simulações têm como referência o modelo de relações interindustriais (input-output) desenvolvido por Wassily Leontief e dados da matriz insumo-produto elaborados a partir das Contas Nacionais para 2006, o mais recente ano com informações disponíveis. A conclusão em todas as hipóteses adotadas é que um tributo do tipo turnover produz menos distorção nos preços relativos setoriais que os impostos sobre o valor agregado.
Construir um novo modelo tributário se tornou um dos maiores desafios em nosso país. O tema tem mobilizado a sociedade organizada desde o início dos anos 90 e de lá para cá temos vistos projetos que não avançam em função de divergências envolvendo o governo central, Congresso, municípios, governos estaduais e entidades empresariais e de trabalhadores. Enquanto isso, medidas pontuais empreendidas pelos governos tornam a estrutura cada vez mais complexa, dispendiosa, vulnerável à evasão e estimuladora da guerra fiscal.
O livro lançado pode contribuir para desmistificar vários aspectos sobre o Imposto Único e criar condições para um projeto convergente de reforma tributária baseado nessa idéia, uma vez que ela combate a sonegação, simplifica a estrutura, gera redução de custos público e privado e ameniza a carga tributária individual sobre os atuais contribuintes.

Marcos Cintra é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas.


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