Jussara Fiterman
Nos consultórios, hospitais, rodas de amigos ou no trabalho, seja onde for, não se fala em outra coisa. A Gripe A também é manchete dos principais jornais e noticiários, há semanas, preocupando médicos, tirando o sono do governo e alarmando a população.
O clima de pânico, porém, em nada ajudará a vencer o vírus Influenza H1N1 Nossas maiores defesas são a informação e a calma.
Pneumologistas de todo o país, bem como outros especialistas e profissionais de saúde abriram suas agendas, ampliaram seus atendimentos em ambulatórios para ficarem à disposição da população, orientando, esclarecendo dúvidas e manejando os casos suspeitos. Todos têm de fazer a sua parte. Cabe ao cidadão manter-se bem informado sobre o assunto para poder seguir adequadamente as medidas preventivas recomendadas.
É fundamental seguir as principais recomendações que visam à redução da disseminação da doença. A transmissão pode ser direta, por meio das secreções das vias aéreas de pessoas contaminadas, expelidas ao tossir ou espirrar, ou indireta, pelo contato manual de superfícies ou objetos contaminados.
Por esta razão, é fundamental lavar as mãos com frequência, evitar levá-las às mucosas da boca, nariz ou olhos, utilizar lenço descartável ao tossir ou espirrar, não compartilhar copos, toalhas ou alimentos e evitar aglomerações e ambientes fechados.
A pessoa com síndrome gripal costuma apresentar febre alta persistente, tosse, dor de garganta, dor de cabeça, dores musculares, que podem vir acompanhados de sintomas digestivos como falta de apetite, náuseas, vômitos ou diarreia.
O uso de medicação deve ser feito com orientação médica. O controle da febre e boa hidratação são fundamentais. Remédios sem a correta indicação podem mascarar sintomas importantes, agravar doenças ou dificultar o diagnóstico.
A maioria dos casos são autolimitados, isto é, terão melhora clínica espontânea. O sinal de gravidade mais frequente é a falta de ar e pode representar uma evolução desfavorável da doença. Nesses casos, é importante buscar o atendimento médico com urgência para tratamento de possíveis complicações.
É importante manter a calma. Esta não é a primeira epidemia que o mundo assiste e infelizmente não será a última.
É possível que, com a proximidade da primavera e os dias mais quentes, ocorra uma redução dos casos da Gripe A (H1N1), mas é preciso que cada indivíduo cumpra o seu papel, seguindo as orientações de prevenção, protegendo-se e educando-se na promoção da saúde da comunidade.
Com certeza, ações conjuntas dos profissionais de saúde, governos e sociedade terão um impacto favorável no combate a esta epidemia.
nJussara Fiterman é presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e professora da Faculdade de Medicina da PUC-RS
Marcos Morita
Todo começo de semestre sinto-me um pouco mais velho e nostálgico. Como professor de estratégia, pontuo as explicações dando exemplos do Brasil da década de noventa. Pouco tempo para quem já passou dos quarenta, uma eternidade para quem recém entrou na universidade.
Comento sobre o pager, novidade que permitia receber mensagens escritas, bastando ligar para uma central, aguardar, falar com a atendente, confirmar, esperar e pronto! Enviada, desde que o conteúdo fosse apropriado.
Levo também para as aulas alguns modelos de celular, os quais tinham autonomia para longos 20 minutos de conversa ou 60 em modo de espera. O design moderno, semelhante a um tijolo, no tamanho e peso. Os alunos sugerem que eu os leve a um museu ou a um antiquário.
Termino com uma cópia de uma carta de habilitação, creio que tão celebrada quanto a de alforria, no século XIX. Permitia aos poucos que a possuíam, habilitar a tão sonhada linha de celular ou vendê-las por uma boa quantia no mercado negro. Saudosismo puro!
Esta semana levarei à discussão de sala de aula uma janela de oportunidades incrível, perdida há alguns dias, referente a manutenção do monopólio dos Correios sobre cartas, malas-diretas e malotes. O placar apertado: 6 a 4, demonstra que não houve unanimidade nem entre os magistrados do Supremo Tribunal Federal.
Perde-se a chance de mais oferta. Tarifas diferenciadas conforme horários e dias, pacotes pré-pagos, integração com a internet, e-mail e celular. Um convite eletrônico enviado de São Paulo a Recife, impresso numa base local e entregue em mãos, tudo em questão de minutos.
Cenário similar foi vivenciado com as telecomunicações e a telefonia celular, após a quebra do monopólio do sistema Telebrás, partindo-se para um modelo de livre concorrência, gerenciado através de agências regulatórias, com o objetivo de universalizar o acesso das classes menos favorecidas.
Apesar de confiar e demonstrar apreço e confiança nas cores amarela e azul, gostaria de poder levar aos meus alunos cartas, selos e telegramas, relíquias de um passado não tão distante.
A levar em consideração a decisão tomada pelo STF, acredito que levará mais tempo que imaginava para abrir meu museu. Infelizmente.
nMarcos Morita é mestre em administração de empresas e professor das disciplinas de planejamento estratégico e gestão de serviços na Universidade Presbiteriana Mackenzie. É executivo há 15 anos em multinacionais, com experiência em canais indiretos de vendas, lançamento de produtos, criação de novos negócios e programas de fidelidade.
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