Conceição Maria Vieira Zambello Santos
No dia a dia, em caminhadas por nossa cidade, nos deparamos com uma triste realidade, a do total desrespeito ao meio ambiente por cidadãos, no descarte de objetos que não lhe interessam.
É impossível deixar de notar a quantidade de pedaços de plásticos, espuma, restos de móveis, eletrodomésticos e todo tipo de objetos jogados em terrenos vazios, em locais descampados, próximos às nossas residencias.
Esta visão nos lembra que ainda existem pessoas que não possuem noção da importancia da preservação de nosso meio ambiente, das consequencias nefastas daquele seu ato covarde, que descarta na natureza materiais que levarão dezenas, centenas de anos para se decompor, sem falar no efeito desta decomposição que por si só já é nefasto.
Queremos crer que talvez estes cidadãos desconheçam a gravidade de sua ação em se ver livre de coisas que não mais lhe servem, porém, o fazendo de forma displicente ou negligente ou talvez preguiça de levá-las à locais apropriados, conforme vastamente informado pela mídia.
Será que não refletiram sobre os malefícios deste descarte irresponsável que trará consequencias nocivas para si e sua prole, sem falar para toda sociedade, todo ser humano que terá que conviver com o prejuízo? Queremos crer que ainda possam faze-lo!
Todavia, é notório que a preservação de meio ambiente não é somente não derrubar nem plantar árvores, mas algo mais abrangente que começa em casa com atos simples, como separação do lixo organico e reciclável, descarte de pilhas, baterias,lixo tóxico em locais apropriados, economia de água, luz, papel, etc; preferencia de aquisição de produtos com embalagens materiais recicláveis, menos utilização de sacolas e materiais plásticos, consumo consciente de carnes, a não pavimentação de toda área residencial, deixando sempre uma área verde.
Assim, são gestos simples que fazem a diferença! Façamos nossa parte e esperemos os resultados com a consciencia de dever cumprido! Paguemos o preço!
Conceição Maria Vieira Zambello Santos, Comissão Meio Ambiente 126ª OAB/SP
Janaina Nogueira Muller
Em uma reunião recente em que participei, foi levantado por um dos integrantes que nenhuma empresa poderia se comprometer com o desenvolvimento sustentável, e dentro desse conceito, com mecanismos de responsabilidade social empresarial, sob pena de ser chamada de hipócrita. Mesmo relutante, ouvi a justificativa de que, uma política interna de responsabilidade socioambiental, com a difusão de valores instituídos por esse conceito, não poderia refletir a realidade empresarial e muito menos uma postura da sociedade. Visto que ninguém consegue ser integralmente sustentável no mundo fático, onde toda e qualquer atitude isolada poderia ser confundida com o denominado "marketing de fachada".
Tudo isso me remeteu ao paradoxo milenar entre o bem e o mal; uma visão maniqueísta e simplificada de todo o movimento mundial em torno de um grande objetivo: a continuidade da espécie humana.
Sustentabilidade é um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana. Propõe-se a ser um meio de configurar a civilização e atividade humanas, de tal forma que a sociedade, os seus membros e as suas economias possam preencher as suas necessidades e expressar o seu maior potencial no presente, e ao mesmo tempo preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais, planejando e agindo de forma a atingir pró-eficiência na manutenção indefinida desses ideais.
O conceito de um ser sustentável nada mais é do que a concepção e o comprometimento de cada indivíduo para com suas ações e seus desdobramentos na sociedade e meio ambiente. Abrange vários níveis de concepção, desde a vizinhança local até o planeta por inteiro.
O problema é que não existe um imaginário disponível para substituir o que foi criado pela sociedade de consumo por anos a fio. Se de um dia para o outro acabarmos com o consumo, tal como o concebemos hoje, todos - eu, inclusive - teremos o sentimento de estar fora da ordem social posta. Não contamos ainda com uma rede cultural que dê apoio à transição da nossa psique de um outro modelo qualquer.
Mas fato é que a miséria global, a crise mundial, os baixíssimos índices de desenvolvimento humano, o efeito estufa, o degelo do ártico, os "black out" nas grandes cidades, fizeram a sociedade refletir sobre seus hábitos e sobre sua postura. Diante dessa nova realidade insofismável, a mudança de atitude começa a ser irretratável.
Inconcebível é a postura daqueles que deveriam ser os grandes responsáveis pelo fomento e pelo desenvolvimento dessa nova ordem mundial, ao se omitirem na maioria das vezes, em submissão às exigências e necessidades de um ou de outro, não da coletividade.
Dentro dessa ótica, tenho por certo, que o discurso paliativo da "hipocrisia da responsabilidade social" se enfraquecerá, chegando ao seu inexorável ocaso, dando espaço ao tão almejado desenvolvimento sustentável.
Janaina Nogueira Muller: Advogada, formada pela Universidade Metropolitana de Santos,MBA pela Fia/USP- Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo em Gestão Coorporativa e Responsabilidade Social, Gestão de Projetos Sociais e Organizações do Terceiro Setor. Curso na ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas- Sistema de Gestão Ambiental- ISO 14001:2004. Sistema e indicadores dos Relatórios GRI - Global Reporting Initiative- Instituto Ethos de Responsabilidade Social. Especializada e atuante em diversos segmentos das esferas públicas e privadas, com profundo conhecimento em gestão corporativa, Responsabilidade Socioambiental e gestão de Organizações do Terceiro Setor. Atualmente, como Diretora da Setor3 Consultoria, presta serviços especializados a dezenas de Organizações não Governamentais (OSCs) e empresas espalhas pelo Brasil.
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