O Congresso e as mudanças na rede de municípios brasileiros

Antonio Carlos Pannunzio

O Brasil tem hoje 5.565 municípios. Os dados populacionais de cada um deles, levantados pelo IBGE num censo decenal, são atualizados, por uma estimativa daquele mesmo órgão, a cada ano, com base em coletas pontuais de informações. Elas permitem avaliar as mudanças observadas a cada doze meses na população e nas tendências econômicas de nossas cidades e nas interações delas entre si.
A estimativa correspondente a este ano confirma a posição da Grande São Paulo como a Região Metropolitana mais densamente povoada do País, mas o fato novo mais expressivo parece ser o impacto dos avanços nas prospecções petrolíferas na Bacia de Santos sobre as cidades da Baixada Santista.
Há fortes evidências de que os novos horizontes econômicos que ali se desenham, ligados à produção de petróleo e gás, mediante a utilização de plataformas marítimas comuns e de equipamentos projetados para a extração no pré-sal, estão abrindo novas perspectivas para os municípios que compõem a Baixada Santista.
O avanço nas ligações rodoviárias entre o Planalto Paulista e a Baixada, nos últimos 60 anos, fizeram do litoral paulista uma área cuja imagem se associa à atividade turística que, nas férias e nos finais de semana prolongados faz suas belas praias serem invadidas por centenas de milhares de turistas, vindos, sobretudo, da Região Metropolitana de São Paulo.
Isso fez muita gente se esquecer que a transformação de Santos no mais importante porto brasileiro deveu-se à exportação de café, no período anterior a 1930 e da revolução econômica ocasionada na região, a partir da década de 1950, pelo pólo industrial de Cubatão. A essas duas mudanças vêm somar-se, agora, as associadas à transformação da Baixada Santista num grande pólo de extração e processamento de petróleo e gás.
Na estimativa do IBGE, a Região Metropolitana da Baixada Santista aparece como a que mais cresceu no Estado em 2000/2009, e o município de Praia Grande, que a integra, ostenta o maior crescimento populacional do mesmo período (26,32%).
Mais que o caso singular da Baixada Santista, a estimativa do IBGE alerta para nova dinâmica, acelerada e mutável, vivida pela rede brasileira de municípios.
Essa realidade emergente coloca em um patamar mais elevado os desafios a serem enfrentados pelos planejadores urbanísticos.
Também sugere o ingresso do País num contexto em que o peso político e eleitoral das regiões e estados brasileiros sofrerá mudanças cada vez mais rápidas.
Isso exigirá do Congresso a produção de uma legislação eleitoral que prontamente as reflita. A praxe de tudo resolver pela inércia, deixando à Justiça Eleitoral a definição até mesmo de questões pontuais, como número de vereadores nas câmaras municipais, terá de ser deixada para trás rapidamente.

Antonio Carlos Pannunzio, Deputado federal, membro da CCJ, ex-líder de bancada, ex-presidente do Diretório Estadual do PSDB/SP.


Mobilização permanente é o caminho das conquistas

Jorge Carlos Machado Curi

O ano de 2009 já entrou em contagem regressiva. Estamos em agosto e, certamente, não será necessário mais do que um piscar de olhos para começar a ouvir frases do gênero: "Nossa, o tempo voou; já estamos às vésperas do Natal e das festas".
É fato, o tempo voa. Daí a importância de aproveitá-lo muito bem, em todas as áreas. Isso vale para a vida pessoal, é válido para a profissional e também para a busca de avanços sociais, de novas conquistas.
Os médicos de São Paulo e do Brasil têm demonstrado perspicácia, nesse sentido. Desde o início do ano, cumprem fielmente um calendário de lutas, definido pelas entidades nacionais, por intermédio da Comissão Pró-SUS, cuja meta é obter conquistas essenciais à valorização da prática profissional e para a melhoria da saúde. Reivindicamos, entre outros pontos, uma carreira de Estado, a implantação de um Plano de Carreira, Cargos e Vencimentos, educação continuada de qualidade e acessível a todos, a consolidação da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos na rede suplementar e sua adoção no Sistema Único de Saúde, além de um salário mínimo profissional.
Usando o tempo, a organização e a coesão a nosso favor, mostramos, a cada dia, a nossa força e avançamos, de forma gradual e ininterrupta. Já fizemos grandes manifestações estaduais, como a convocada pela Associação Paulista de Medicina e entidades coirmãs, em maio; mantivemos e mantemos vigília permanente sobre os projetos de interesse dos médicos em tramitação no Congresso Nacional; também traçamos, com responsabilidade e cuidado, as próximas etapas do movimento.
É assim que temos sensibilizado autoridades e a sociedade, colhendo frutos importantes. Em julho, por exemplo, a deputada Sandra Rosado foi sensível ao trabalho de convencimento da APM e demais entidades, apresentando relatório favorável ao Projeto de Lei 3734/08, que atualiza o salário mínimo profissional de médicos e dentistas para R$ 7 mil em 20 horas semanais. Agora, resta à proposta passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, para ser encaminhada ao Senado.
Porém, não podemos cruzar os braços e dar as conquistas como favas contadas. A mobilização é o caminho para as vitórias e temos de mantê-la. No momento, a Comissão Nacional Pró-SUS aponta com a possibilidade de um dia de paralisação, em outubro; é mais uma forma legítima de luta e de alerta à comunidade.
Os médicos, todos nós, temos de exigir dignidade, em alto e bom som. Temos de exigir uma rede de saúde de qualidade, integral e universal para nossos pacientes. É nossa obrigação e nosso direito, como profissionais e cidadãos. Muitos colegas em diversas cidades alcançaram avanços importantes graças à organização. São conquistas referentes à carreira e melhoria de salários. É fundamental prosseguir mobilizados para novos avanços. O movimento médico e nossos pacientes buscam ansiosos esse salto de qualidade.

Jorge Carlos Machado Curi, Presidente da Associação Paulista de Medicina


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