A chegada oficial do inverno, renova a preocupação a respeito de como evitar as viroses respiratórias. Pais de filhos em idade escolar costumam ficar especialmente alertas devido às lembranças de noites maldormidas em consequência de viroses que acometem os pequenos nessa época.
O que nem todos eles sabem é que a principal medida para conter esse tipo de vírus está bem a seu alcance -ou, melhor, nas mãos das crianças.
Isso é o que apontou uma análise de 51 estudos sobre diferentes medidas para restringir epidemias de vírus respiratórios, realizada por pesquisadores da Cochrane Collaboration, organização internacional que avalia pesquisas médicas.
Mais do que usar máscaras e luvas ou manter os doentes em quarentena, a intervenção mais eficaz para reduzir a disseminação de doenças respiratórias é manter as mãos das crianças bem limpas.
A infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e do Hospital e Maternidade Santa Joana, concorda. "Tenho orientado pessoas que vão viajar para locais com a gripe suína a higienizar frequentemente as mãos, porque é nelas que carregamos o vírus e onde ele sobrevive por até 30 minutos", diz.
Richtmann diz que as crianças carregam mais vírus porque não têm o hábito de lavar as mãos. "Temos que ensiná-las desde pequenas. Se conseguirmos incutir nas crianças a importância da higienização das mãos para se alimentarem, após irem ao banheiro ou quando espirram, elas serão adultos mais preparados para evitar a contaminação", acredita.
O infectologista e pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo Evandro Roberto Baldacci vê a pesquisa com mais cautela. Para ele, as vias aéreas também são responsáveis por grande parte da transmissão dos vírus respiratórios, por meio de espirros e tosse.
"Tanto é assim que a ocorrência dessas doenças aumenta no inverno, quando as crianças ficam em ambientes confinados, que favorecem a transmissão por via aérea", diz. "Mas o agente transmissor também fica nas superfícies. Quando elas são manuseadas e, depois, quando a mão é levada ao rosto, pode contaminar a pessoa."
O pediatra observa que outra razão para as crianças serem as principais responsáveis pela contaminação está no fato de elas levarem mais as mãos à boca e ao nariz, em um processo de autoinoculação do vírus.
Segundo Baldacci, lavar as mãos com sabonete comum, incluindo todos os dedos e fazendo movimentos de fricção entre eles, é o suficiente como preventivo. Álcool em gel, vendido em farmácias, pode completar a higiene. "Ele prolonga o tempo de mão limpa, mas não substitui a água e o sabão."
Viroses mais comuns - Diferentemente do que se imagina, o vírus influenza, causador da gripe comum, não é o mais frequente entre os vírus respiratórios, pois causa só de 10% a 15% das doenças virais respiratórias, diz Baldacci.
"O grande vilão é o VSR (vírus sincicial respiratório), que chega a ser responsável por 70% dessas doenças, dependendo da época." Ele provoca uma inflamação na parede dos brônquios com sintomas semelhantes aos de um resfriado.
Outro vírus comum é o adenovírus, que causa febre alta, conjuntivite e dor de garganta. "Há cerca de um mês, muita gente aqui em São Paulo pegou o adenovírus, que causa uma virose severa", diz Baldacci.
A terapia comportamental é tão eficaz quanto o uso de remédio no tratamento da depressão de crianças e adolescentes. A associação das duas técnicas, contudo, traz resultados mais rápidos e com menos chances de recaídas.
A conclusão é de um estudo recente realizado a partir de um levantamento financiado pelo Instituto de Saúde Mental dos Estados Unidos, com 439 crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos.O trabalho foi publicado no "Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry".
A taxa de depressão infanto-juvenil vem crescendo em todo o mundo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Na faixa etária entre seis e 16 anos, por exemplo, ela passou de 4,5% para 8% na última década. A violência urbana, o excesso de atividades na agenda diária e a falta de espaço para o lazer são apontados como os principais fatores.
O trabalho envolveu 13 instituições norte-americanas e testou, isoladamente, três tipos de tratamento: terapia cognitivo-comportamental, antidepressivo (fluoxetina) e a associação de ambos. Ao final de 36 semanas, a taxa de eficácia dos três foi parecida: em torno de 60%.
Até a 18ª semana de tratamento, porém, a combinação de terapia comportamental e de remédio foi melhor do que a chamada monoterapia. As taxas de remissão (ausência de sintomas da depressão) foram de 56% (tratamento combinado) contra 37% (remédio) e 27% (terapia).
Tratamento combinado - Para o médico John March, professor de psiquiatria do Centro Médico da Universidade Duke e coordenador do estudo, se a depressão na criança for de moderada a severa, a recomendação é que o tratamento seja combinado. Se for leve, há indicação de terapia comportamental -e de acrescentar antidepressivo se não houver resposta rápida.
"A terapia comportamental é muito boa, mas o tratamento combinado traz resultados muito melhores, mais rápidos e mais duradouros do que somente a terapia ou a fluoxetina. A associação de tratamentos também elimina o risco de suicídio associado à medicação [fluoxetina]", explicou à Folha.
A psiquiatra Betsy Kennard, da Universidade do Texas, que também participou do estudo, observa que, com a monoterapia, há uma demora de dois a três meses para surtirem os resultados, em relação ao tratamento combinado.
"As crianças que recebem apenas remédio ou apenas terapia comportamental chegarão ao mesmo ponto em 36 meses [em relação àquelas que usam terapia combinada]. Mas, como pai ou mãe, você não vai querer ver seu filho sofrendo por tanto tempo."
Recaídas - O psiquiatra infantil Fábio Barbirato, professor da Santa Casa do Rio de Janeiro, acrescenta que a terapia associada à medicação traz menos chances de recaída. "A depressão costuma ser flutuante: há uma melhora, uma piora. As crianças que tomam o remédio e fazem terapia têm menos recaídas em relação às outras."
Para Barbirato, a mensagem do estudo é que os médicos não devem desistir de tratar crianças e adolescentes deprimidos. "Muitos acabam sendo expostos a um tratamento ineficaz e que traz riscos à sua saúde por conta de diagnósticos errados, baseados em mitos."
Vários estudos têm demonstrado que crianças com sintomas depressivos não tratados possuem mais chances de cometer suicídio, de se tornarem dependente de drogas ou de manter a doença na idade adulta. "Não tem essa conversa de que as coisas vão melhorar com o tempo. Sem tratamento, quem sofre é a criança."
O psiquiatra acredita que a polêmica que ainda existe em torno do uso de antidepressivo em crianças "é coisa de profissional que não está bem atualizado e que vai contra tudo o que existe de mais atual".
Barbirato diz que já atendeu um garoto de sete anos de idade que havia tentado duas vezes o suicídio. "Ele já tinha passado por várias terapias inúteis. Depois de dois anos com terapia comportamental e remédio, ele teve alta. Está sem remédio, nunca mais recaiu."
Na avaliação do psiquiatra Eurípedes Miguel, professor titular do departamento de psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo), a grande importância do estudo foi ter demonstrado que a manutenção do tratamento a longo prazo é fundamental para os adolescentes conseguirem a remissão dos sintomas da depressão.
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