José Evaldo Gonçalo
Levantamento realizado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) aponta que uma pessoa morre a cada 15 minutos no país devido a acidentes de trânsito. É um dado assustador, que deve ser tratado com seriedade pelo Poder Público. Uma fórmula de diminuir as ocorrências fatais é a colocação de lombadas eletrônicas, aparelhos que limitam a velocidade em vias que oferecem perigo a motoristas e pedestres, principalmente em áreas próximas a escolas e hospitais, onde estudos demonstram ser possível reduzir as taxas de óbito a zero.
De acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), os acidentes diminuem em cerca de 30%, e as mortes, em 60%, nos locais em que há equipamentos de monitoramento de tráfego. A cidade de Guarulhos, que possui uma frota de cerca de 500 mil veículos, decidiu agir com rigor para reduzir as ocorrências em seu território, que no ano passado foram responsáveis pela morte de 219 pessoas, segundo o Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo.
A adoção da fiscalização eletrônica é uma ação importante dos agentes públicos, já que determina um controle adequado do limite de velocidade de veículos e faz com que o cidadão tenha respeito à sinalização viária (semáforos e faixas de pedestres). A medida tem como finalidade diminuir os acidentes e mortes causados pelo tráfego urbano, tema relevante para a segunda cidade maior cidade do Estado, com 1,3 milhão de habitantes.
Os radares serão instalados nas principais ruas e avenidas a partir do dia 6 de março. A previsão é que sejam instalados nove radares por mês, somando, até junho, um total de 66 equipamentos. A localização dos aparelhos segue critérios técnicos de avaliação do trânsito na cidade, com prioridade para as vias que apresentam maior volume de tráfego e onde são mais frequentes as ocorrências de acidentes.
No último mês, a campanha "Velocidade mata, respeite a vida!" ganhou as ruas de Guarulhos, com farta distribuição de material informativo, outdoors, anúncio em jornais e revistas, e busdoor. Além disso, a cidade faz valer a exigência da utilização de placas de sinalização indicando a via e localização de todos estes radares (Resolução 214/2006 do Contran - Conselho Nacional de Transito).
Quer-se conscientizar o motorista ao invés de simplesmente puni-lo pecuniariamente. Em países desenvolvidos como Inglaterra, Alemanha, Japão, Estados Unidos, Suécia e Holanda, não é obrigatória a sinalização para alertar o motorista sobre o monitoramento eletrônico. Porém, registram-se índices de acidentes bem menores e penalizações mais rigorosas.
Mais do que se preocupar com a arrecadação das multas, queremos aliar ações de prevenção a acidentes com programas de educação. Assim, acreditamos ser possível fazer com que o respeito às normas de trânsito tornem-se, de fato, uma questão de cidadania. Para o bem de todos.
José Evaldo Gomes é secretário Municipal de Transportes e Trânsito de Guarulhos
Merheg Cachum
Em 2008, embora tenha estabelecido o maior valor de todos os tempos em suas exportações, a indústria brasileira de transformação de plásticos registrou no exercício déficit recorde de sua balança comercial desde o início da série histórica desse dado, em 1996: US$ 996 milhões. A preocupante marca é 54,2% maior do que os US$ 646 milhões registrados em 2007. Contribuiu muito para esse resultado o câmbio sobrevalorizado predominante até a internacionalização da crise financeira. Entretanto, nem mesmo a subsequente desvalorização do real reverteu o saldo negativo mensal, que cresceu 8,41% em outubro (US$ 116,3 milhões) em comparação com setembro (US$ 109,16 milhões) e foi de US$ 101,5 milhões em novembro e US$ 55,1 milhões em dezembro.
A balança setorial reflete principalmente o aumento de 30,4% nas importações de artefatos de plástico, que somaram US$ 2,39 bilhões no ano passado. Por outro lado, as exportações cresceram 17,5%, atingindo US$ 1,39 bilhão, um novo recorde, que evidencia a qualidade e aceitação dos produtos brasileiros no mercado externo. Os segmentos mais suscetíveis às importações são os relacionados ao mercado de embalagens, como no setor de alimentos, por exemplo. No tocante aos volumes transacionados no comércio exterior, as importações em 2008 foram de 487 mil toneladas, significando um crescimento de 18,6% em relação a 2007. Quanto às exportações, registraram recuo de 0,15%, atingindo 332 mil toneladas ao longo do ano.
É importante entender que o crescente desequilíbrio da balança comercial da indústria brasileira de transformação do plástico, embora possa ser agravado pela tempestade financeira que acomete o mundo, não está relacionado à presente conjuntura global de dificuldades. Deve-se, sobretudo, além do câmbio sobrevalorizado prevalente no ano passado, a questões estruturais, como a exagerada carga tributária e problemas do mercado interno.
Os números de 2008 demonstram, sem qualquer dúvida, a necessidade premente de se restabelecer o equilíbrio da indústria transformadora do plástico. Para isso, seria importante a adoção de medidas absolutamente viáveis, como a isonomia do IPI e aumento do prazo de recolhimento dos impostos, acesso mais amplo a financiamento e com o mesmo nível dos juros internacionais, de modo a suscitar a igualdade de preços com os praticados no Exterior. Tais providências são imprescindíveis para a competitividade de um setor presente em praticamente todas as cadeias de suprimentos da indústria e, portanto, com sensível impacto nos índices inflacionários e na oferta de bens de consumo e de produção. Em 2009, a mobilização com foco nessas medidas será pauta prioritária da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico).
Antecedem à crise mundial os problemas enfrentados pela indústria transformadora de materiais plásticos. No entanto, a performance de sua balança comercial, somada ao presente cenário econômico, configura um quadro preocupante. Esta é uma reflexão mais do que pertinente neste momento no qual todo o mundo busca soluções para vencer o crash financeiro. Em tal contexto, o registro de recordes setoriais negativos é tudo o que o Brasil não precisa!
Por outro lado, a crise financeira mundial e os desafios econômicos internos não podem deixar esquecida a questão da sustentabilidade, que deverá continuar merecendo toda a atenção em 2009. A preservação do meio ambiente é um dos temas mais trabalhados pela Abiplast ao longo de seus 40 anos, uma vez que influencia diretamente na vida de seus associados – empresas e recursos humanos –, dos consumidores e toda a sociedade. Acreditamos que a solução dos problemas econômicos enfrentados pelo mundo deva dar-se por meio de um processo de produção equilibrada, maior responsabilidade na gestão financeira, preservação ambiental e dos recursos naturais e melhor distribuição da renda. Esta é a equação da sobrevivência, que precisa ser resolvida pela presente civilização.
Merheg Cachum é presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).
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