Oswaldo Vicentin
Tem certas coisas que só acontecem no Brasil. Toda vez que lembro de Collor, em quem votei, tenho vontade de rir. Não nego que mantenho certa simpatia por Collor. Mesmo porque, somos leoninos, nascemos no mesmo dia doze de agosto. Dizem, as más línguas, que o mês de agosto é o mês de cachorros loucos. Nem tanto!
O Ex-Presidente Collor, ao subir as rampas do Planalto, obviamente, entrou pela porta da frente, aplaudido pela galera empunhando bandeirinhas, camisetas, multicores. Tudo era em " TECNICOLLOR". Alias o Ex-Presidente quando nasceu foi privilegiado com o sobre-nome colorido! Tem um significado de otimismo, onde tudo parece ser as mil maravilhas. Tudo dava a impressão de um Brasil melhor, com "El caçador de marajás", onde poderíamos viver e ver "La Doce Vitta".
Todavia, lembrando o que já escrevi certa vez, as causas que culminaram com a queda de Collor, não foram só os atos de corrupção pelo envolvimento nas operações ilícitas com PC. Farias e sua gangue. Baseado em que li nos jornais, a queda deu-se em virtude de seu envolvimento com uma mulher. Como diziam os poetas: "Oh! Mulher, musa da tentação, desde Cleópatra" estás sempre presente entre os poderosos!". E Collor magnetizado pela beleza da sua cunhada Tereza Collor, mulher de seu irmão Pedro, não conseguiu conter sua volúpia! Deu-lhe uma cantada! Uau! Como se diz na gíria popular: "Queria saborear o fruto proibido". Tereza, uma mulher digna, contou tudo ao marido. Foi ai que o" bicho pegou" como diz o caipira.
Pedro que já andava aborrecido com o irmão, por que este apoiava PC Farias, dando-lhe a direção da Radio e Jornal, ficou furioso, e pôs a boca no trombone. Denunciou todas as operações ilícitas do irmão. Daquele momento em diante surgiram as CEPEIS, culminando com a renuncia de Collor, após sofrer um impeachment.
Agora Fernando Collor volta pela porta dos fundos. Apoiado pelo Presidente do Congresso, José Sarney (PMDB) e a anuência do Presidente Lula, venceu a disputa pelo comando da Comissão de Infraestrura do Senado. Uma das principais metas de Collo, será a de acompanhar e fiscalizar as obras do PAC ( Programa de Aceleração do Crescimento).
Um dos principais projetos, ao meu ver, será o financiamento da casa própria para quem ganha até três salários mínimos. As prestações serão de quinze ou vinte reais mensais. Pelo menos, ouvi essa notícia na radio Jovem Pan.
Não resta a menor dúvida, de que somente com o aglutinamento das forças políticas, é possível aprovar os projetos indispensáveis ao bem estar do POVÃO. Em o principal desses projetos é a ajuda aos sem casas, sem empregos, e sem terras. Devolver-lhes pelo menos uma parte do que lhes foi roubado nos últimos séculos em beneficio daquela MALFADADA MINORIA. Todos projetos em beneficio do povo, são imprescindíveis, mesmo que seja com ajuda de Collor e demais políticos que tiveram seus pecados perdoados. Contanto que daqui para frente, façam tudo de uma forma transparente. Estamos de olho.
Oswaldo Vicentin é Contador e Colaborador.
Armando Correa de Siqueira Neto
No demasiado estado psicológico inconsciente em que ainda nos encontramos - basta verificar os inúmeros comportamentos descontrolados e inconsequentes presentes nas pessoas -, portanto bastante infantil, vale a pena lançar uma pergunta pretensiosa: Quem pajeia o ser humano enquanto ele não adquire a maturidade necessária para tomar, com maior consciência, as rédeas da sua vida? Pela análise reflexiva que se seguirá, resta responder que o próprio homem é babá de si mesmo.
Serão considerados dois aspectos na apreciação: genética e convivência. De um lado, sabe-se que somos "reféns" das informações advindas dos genes. Em estudos recentes sobre a fidelidade nos relacionamentos, por exemplo, mostrou-se que o homem sempre prezou a quantidade e a mulher, por outro lado, a qualidade. Em outras palavras, o que interessa para o homem, do ponto de vista biológico, é manter contato sexual com várias parceiras, pois há um número considerável de espermatozóides a serem disseminados e a dar continuidade à espécie. A mulher, ao contrário, geralmente expele um óvulo. Logo, na maioria dos casos, ela preza a seletividade, pois tal qualidade determinará, com grande chance de acerto, o tipo de filho que terá. Tais características encontram-se presentes nas informações genéticas que pretendem cuidar da sobrevivência e da evolução da espécie. Eis, mesmo sem percebê-lo, um exemplo de babá que sempre cuidou do ser humano desde outrora.
A questão, contudo, não para por ai. Há outro dispositivo capaz de gerar conflito frente à infidelidade animal. Desde muito cedo, dispomos instintivamente da capacidade de desenvolver o apego com quem convivemos. Graças a tal condição, aprendemos a dirigir e receber afeto. Um tipo de preparação para a vida adulta, sem a qual se torna difícil manter qualitativamente bem um relacionamento. Eis outro modelo de babá com o qual o homem pode contar. Mas aqui reside um problema, haja vista a exagerada interpretação social que damos ao apego ao transformá-lo em instrumento de perigosa fusão monogâmica e forte dominação, e não em apoio vincular mútuo. Por tal fato, somado às aprendizagens obtidas no decorrer da vida, tais como as proibições legais, morais e religiosas a respeito das questões sexuais e da poligamia, gera-se uma gama de conflitos. Mas convém ressaltar que os conflitos servem para nos incomodar e fazer mexer aquilo que tende à acomodação, levando-nos a novos e fundamentais desenvolvimentos.
Porém, ao observar o choque que se instala entre genética e convivência sobre os relacionamentos, verifica-se que há pouco controle acerca dos comportamentos, pois as pessoas não se dão conta de tal fato, ignorando as informações dos genes e a sua relevância na ideal continuidade da vida e o impacto causado pelas criações sociais, a exemplo do controle conjugal. Então, tendo em vista a falta de consciência sobre pontos tão cruciais, a sorte do ser humano repousa na habilidosa estrutura que possui cuja combinação inclui o psiquismo e a biologia e é através dela que, mesmo sob o véu da inconsciência, vários dispositivos são acionados, oferecendo-lhe cobertura em pontos onde não enxerga. É a babá temporária do homem, até que ele alcance, com o devido esforço, o estado de consciência que lhe possibilite pensamentos e decisões maduros, alterando, inclusive, as informações genéticas que influenciarão as gerações vindouras - flexibilidade constatada nas constantes mutações sofridas ao longo de milhares de anos. Percebe o nível de responsabilidade aqui existente?
É de admirar que haja uma babá dentro de nós. Como é possível existir tamanha sabedoria desde há muito? Mas, em razão de tal babá perambular em meio às escuras vielas subterrâneas do mapa inconsciente, ainda ocorre um punhado de erros grosseiros que desencadeiam notáveis conturbações originadas nos excessos dos conflitos. Porquanto, por hora, pode-se denominá-la de babá muito louca.
Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo (CRP 06/69637), diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas, palestrante, professor e mestre em Liderança pela Unisa Business School. Co-autor dos livros Gigantes da Motivação, Gigantes da Liderança e Educação 2006. E-mail: selfcursos@uol.com.br
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