U2 é favorito para liderar parada pop nos EUA

Os roqueiros irlandeses do U2, em campanha de divulgação de seu novo álbum em vários programas de TV dos EUA esta semana, estão próximos de emplacar pela sétima vez um álbum como o mais vendido da parada pop norte-americana.
Os dados do ranking de vendas Billboard 200 serão divulgados na quarta-feira, mas informações antecipadas pelas principais lojas do país indicam que "No Line On the Horizon" pode vender mais de 400.000 cópias -- o melhor resultado em uma única semana desde dezembro.
O último álbum da banda feito em estúdio, "How to Dismantle an Atomic Bomb", de 2004, vendeu impressionantes 840.000 cópias. Mas suas vendas foram impulsionadas pelo feriado de Ação de Graças. Até agora, "Bomb" já vendeu 3,2 milhões de cópias nos EUA.
A banda realizou uma apresentação de cinco noites no programa "Late Show with David Letterman", na rede de TV CBS, e esteve ontem no programa "Good Morning America", da ABC. Uma turnê promocional de uma rádio levará a banda na próxima semana a Los Angeles, Chicago e Boston, onde Bono e companhia farão shows diários.


De viola em punho, Daniel é boiadeiro em 'O menino da porteira'

Quando pegou o microfone na apresentação da pré-estreia do filme "O menino da porteira", o garoto João Pedro Carvalho, que interpreta o personagem-título, perguntou à plateia: "Quem sabe cantar a música d'O menino da porteira'?". E o cinema inteiro cantou as duas primeiras estrofes da música de Teddy Vieira e Luizinho, escrita em 1955.
A música caipira, mais que trilha sonora, é um dos principais e mais interessantes personagens do filme que estreou ontem em 270 salas de cinema em todo o Brasil (cerca de 12% do total de cinemas do país). O longa na verdade é um remake do filme homônimo, protagonizado pelo cantor Sérgio Reis em 1976.
A nova versão muda de galã (desta vez, o cantor Daniel) mas tem o mesmo diretor, Jeremias Moreira. O tom caipira é garantido pelos cenários - o filme foi rodado em Brotas e Paulínia, cidades do interior paulista - e pelo sotaque dos personagens, puxado nos "erres" e às vezes deficiente de plural.
Ouro Fino
Ambientado no sudeste brasileiro, em 1954, "O menino da porteira" conta a história da região em volta da Fazenda Ouro Fino, onde o major Batista (interpretado por José de Abreu) controla tudo a ferro e fogo - incluindo os sitiantes que vivem em volta de sua propriedade. Quando o pequeno proprietário Otacílio (Eucir de Souza), pai do menino da porteira Rodrigo, tenta driblar o cerco do major, a tragédia está armada. Se envolve no conflito o boiadeiro Diogo (Daniel), que ainda por cima está apaixonado pela enteada de Batista, Juliana.
Complementando o enredo, a trilha é cheia de novos e velhos clássicos da música caipira. "Eu canto 'Menino da porteira' com meu pai desde que eu tinha quatro, cinco anos", diz Daniel em entrevista por e-mail ao G1. "Participei do processo de escolha de músicas e foi muito gostoso cantar músicas que fazem parte da minha própria história".
Da guarânia "Índia", gravada por Cascatinha e Inhana em 1952, a "Tocando em frente", do caipira letrado Renato Teixeira, passando até mesmo por "Disparada" de Geraldo Vandré, a trilha mostra vários momentos da música caipira brasileira - e ainda dá a medida da ambientação, ora ao fundo de cenas mostrando os cenários do interior, ora com o próprio Daniel, de viola em punho.
Se o cantor se garantia na hora da música, para atuar a história é outra: teve que fazer laboratório e emagrecer seis quilos. "As cenas dramáticas exigiram um pouco mais de mim", confessa Daniel, que volta a interpretar um peão boiadeiro na novela "Paraíso", que estreia no dia 16 de março. "A experiência de contracenar com um fera como o Zé de Abreu é fantástica. Ele tem um olhar que te pega", completa.
Sem energia elétrica, com a vida urbana limitada a uma vila com pequenas vendas (todas assinadas pelos patrocinadores do filme) e com música à beira da fogueira no lugar de qualquer aparelho, "O menino da porteira" é bom para recordar ou conhecer um Brasil que não existe mais - um pedaço de chão onde berrante não se toca mais.


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