Variedades
Nicolas Cage vira feiticeiro em novo
filme da Disney
Fato incontestável em qualquer ofício é a afirmação de que quantidade não significa, necessariamente, qualidade. A prova disso no cinema é o ator Nicolas Cage, que nos últimos anos alcançou a impressionante média de dois filmes por ano, com uma atuação tão irregular quanto as bilheterias de seus trabalhos.
Vencedor do Oscar de melhor ator por "Despedida em Las Vegas" (1995), elogiado por sua interpretação em "Adaptação" (2002) e em "Senhor das Armas" (2005), o ator também tem passado por uma série de revezes, como "O Sacrifício" (2006), "Perigo em Bangkok" (2008), "Motoqueiro Fantasma" (2007) e, agora, "Aprendiz de Feiticeiro", que estreia hoje no Tivol em versões dubladas.
Na pele do mago Balthazar Blake, Cage é eclipsado por seus colegas de elenco, apesar de estar na pele do personagem mais interessante e conflituoso da produção. Assim, sobra para Jay Baruchel (de "Trovão Tropical") levar folgadamente o filme nas costas.
Para entender a trama é preciso lembrar das antigas lendas do Ciclo Arturiano sobre o mago Merlin. No roteiro de Mark Rosenthal e Lawrence Konner, que assinaram juntos a refilmagem de "Planeta dos Macacos" (2001), o mago tinha três alunos: Balthazar, Maxim Horvath (Alfred Molina, de "Educação") e Verônica (Monica Bellucci, de "Irreversível").
Quando Horvath trai Merlin (que é assassinado) em favor da bruxa Morgana (Alice Krige, de "O Contrato"), que ambiciona dominar o mundo, Balthazar consegue aprisioná-la em um receptáculo juntamente com seu novo pupilo e, por desastre, Verônica. Sozinho, ele passa séculos buscando um sucessor de Merlin para enfrentar Morgana e libertar sua amada.
O escolhido é o atrapalhado Dave (Baruchel), um jovem estudante de física. Sua completa falta de tato social e covardia tornam-se, como já foi provado em séries de TV ("Big Bang Theory") ou filmes ("A Vingança dos Nerds"), uma espécie de alívio cômico da trama. Posto bem personificado pelo divertido ator que, com seus 28 anos, aparenta 18 na tela.
"Aprendiz de Feiticeiro" se apresenta para todos os públicos, apesar de sua tônica infantil. Mesmo assim, o diretor Jon Turteltaub (de "Duas Vidas") consegue amarrar, de forma excepcional, a narrativa cômica ao lado dos efeitos especiais, imprescindíveis para esta produção.
Como não poderia deixar de acontecer, nas mãos de Jerry Bruckheimer (são dele os direitos de "Piratas do Caribe", "Bad Boys" e, na TV, os múltiplos "CSIs"), a produção se tornará uma franquia. Afinal, com mágica tudo é possível e Jerry sabe farejar bilheteria.
TV paga é mais cara no Brasil do que nos vizinhos Argentina e Chile
Levantamento da Ancine (Agência Nacional do Cinema) mostra que o brasileiro paga mais caro pelos pacotes populares de TV paga do que argentinos e chilenos.
Enquanto o brasileiro paga até R$ 2,88 mensais por canal, o argentino tem preço máximo de R$ 0,89 e o chileno, de R$ 1,24. O levantamento comparou o segundo pacote mais barato dos países.
O preço no Brasil supera ainda o de Portugal (máximo de R$ 0,82 por mês) e da Espanha (máximo de R$ 1,80).
Segundo a Ancine, a entrada de companhias telefônicas no mercado de TV via satélite e o aumento no número de assinantes nos últimos anos permitiram uma redução nos preços, mas não o suficiente para se equiparar aos dos países vizinhos.
Em 2007, o custo da assinatura de um canal nos pacotes populares variava de R$ 1,92 a R$ 6,84 por mês, no Brasil (a base de assinantes passou de 5,3 milhões para 8,4 milhões desde então).
A pesquisa foi apresentada ontem pelo presidente da Ancine, Manoel Rangel, no congresso anual da ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura), que termina hoje em São Paulo.
Um dos propósitos do estudo é dar argumentos para a defesa da criação de cotas para produção nacional para as TVs pagas.
As cotas são um dos pontos de maior polêmica do projeto de lei 116, que tramita no Senado. Além de criar uma reserva de mercado para obras brasileiras, propõe acabar com a limitação ao capital estrangeiro e liberar telefônicas para oferecer TV a cabo dentro de sua área de concessão de telefonia fixa.
ENLATADOS
A Ancine mediu o espaço que a TV paga dá ao conteúdo nacional. Sem o Canal Brasil, os filmes nacionais representaram 1,4% dos exibidos em 2009.
Na visão de Rangel, as cotas favorecerão o surgimento de uma indústria em escala de conteúdo nacional, o que é contestado por programadores estrangeiros e nacionais. Anteontem, o presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, criticou as cotas em discurso no congresso da ABTA. "Elas não privilegiam qualidade."
O presidente da Ancine diz que a produção nacional já provou que tem qualidade e mencionou que a receita do audiovisual brasileiro equivale a 2% da mundial, que foi de US$ 480 bilhões em 2009.
Ele provocou programadores estrangeiros, dizendo que o conteúdo nacional feito por eles é majoritariamente resultado de incentivo fiscal.
Dos R$ 145 milhões investidos por canais estrangeiros em produção no país desde 2001, ao menos R$ 114 milhões são de incentivo fiscal.
O diretor-geral da ABPTA (Associação Brasileira de Produtores de TV por Assinatura, que reúne canais estrangeiros), Sean Spencer, disse que as cotas encarecerão a assinatura no Brasil. E atribui o alto custo da assinatura à carga tributária no país, segundo ele, uma das mais elevadas da América.
editor@diariosbo.com.br