Variedades
Primeiras gravações de Ary Barroso não são lançadas por falta de verba
"Meus amigos. Quero deixar às futuras gerações alguma coisa que o tempo não destrua. Muita gente, daqui a muitos anos, irá ouvir falar no compositor popular Ary Barroso. (...) Se o meu objetivo for colimado, estarei perfeitamente tranquilo e compensado."
As palavras, de ninguém menos que Ary Barroso (1903-1964), abriam o LP "Encontro com Ary", de 1955.
Mais de meio século depois, o desejo do mineiro de Ubá que se tornou um dos mais importantes ícones da música brasileira ainda vale.
Uma caixa ambiciosa que resgata a obra completa do autor de "Aquarela do Brasil", reunindo em 20 CDs 318 de 323 gravações originais de músicas compostas por Ary --sambas, choros, valsas, foxtrotes, canções-- permanece sem perspectivas de chegar ao mercado.
Segundo o responsável pela compilação, o pesquisador e colecionador musical Omar Jubran, 57, nenhuma instituição privada ou órgão público se dispôs a lançá-la.
Jubran, um ex-professor de biologia, levou mais de uma década para reunir as gravações, a maioria originalmente lançada em discos de 78 rotações por minuto, com uma faixa em cada lado.
Com o rigor de um cientista, recuperou e remasterizou os fonogramas, sem comprometer a sonoridade da época.
O pacote traz um livro com a letra de cada canção, o intérprete, o ano de lançamento e gravação, o número do disco, além de comentários sobre o teatro de revista.
"É uma batalha inglória", diz Jubran. "As pessoas pensam que vai ter que botar uma nota preta. Não sei, mas para grandes empresas não é nada. Para o próprio Ministério da Educação, é dinheiro de pinga."
DESILUSÃO
A seu favor, Jubran tem a caixa "Noel Pela Primeira Vez", lançada há dez anos, em que reuniu em 14 CDs as primeiras gravações do Poeta da Vila (1910-1937).
À época, a compilação saiu graças a um acordo entre a gravadora Velas e a Funarte, e lhe rendeu, além de espaço na mídia, um prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
Com tal cartão de visitas, Jubran achou que podia repetir o feito. Enganou-se.
"Depois do Noel, veio a desilusão", lamenta.
A esperança chegou em 2002, quando, às vésperas do centenário de nascimento de Ary, foi criada pelo Ministério da Cultura uma comissão para celebrar sua memória. Dela, o pesquisador diz que recebeu apenas um "parabéns" pelo projeto.
"O trabalho do Omar Jubran é fantástico. Deveria ser prestigiado. A caixa tem que sair, é fundamental", afirma Sérgio Cabral, crítico musical e biógrafo de Ary Barroso.
Jubran não é tão otimista. "O Ary Barroso está pronto porque ainda foi no vácuo da ilusão. Agora eu não faço mais nada mesmo, acabou."
Ouça trechos de músicas de Ary Barroso:
Mentira
Samba em parceria com Augusto Jaime de Vasconcelos
Intérprete: Linda Batista com Orquestra
Lançamento: março de 1951
Cruel Resistência
Samba-canção em parceria com Irassé Nascimento Silva
Intérprete: Zaíra Rodrigues com Orquestra
Lançamento: final de maio - início de junho de 1952
Carne Seca
Samba em parceira com Vilma Quantiere de Azevedo
Intérprete: Ademilde Fonseca e Jorge Veiga com Geraldo Medeiros e Seu Conjunto
Lançamento: final de setembro - início de outubro de 1950
Primavera
Samba em parceira com Lúcia Alves Catão
Intérprete: Alcides Gerardi com Orquestra & Coro
Lançamento: agosto de 1951
“Sou tão corajosa que beiro a estupidez”, diz Angelina Jolie
A atriz americana Angelina Jolie disse que é "viciada em adrenalina" e que é "tão corajosa, que beira a estupidez".
Em uma entrevista à televisão alemã coincidindo com a estreia de seu último filme, "Salt", Jolie assinalou que, após dar à luz a seus gêmeos e de ficar um tempo parada, "precisava fazer algo para extravasar a força que tem dentro de si".
Em seu último filme, a atriz faz o papel de Evelyn Salt, uma espiã que tem que fugir para provar sua inocência quando um desertor alega que ela é uma agente dupla, responsável por fazer os espiões russos começarem uma guerra contra os Estados Unidos.
Em "Salt", que já estreou no Brasil, a ação é o tema principal, com uma Jolie que teve que treinar duro para poder se adequar às exigências do papel.
No entanto, Jolie, de 35 anos e mãe de seis filhos, também disse que tem um lado "brando", no qual é "muito maternal" e que só sua família conhece.
Após ter interpretado a heroína de videogame Lara Croft; de ter sido uma assassina paga junto com seu marido, Brad Pitt, em "Sr. e Sra. Smith"; e de entrar na pele de uma espiã em "Salt", Jolie confessou que lhe "encantaria ver algum dia o agente secreto James Bond ser interpretado por uma mulher".
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