Saúde
Pessoas com mais estudo lidam melhor
om demência
Pessoas com mais estudo são mais capazes de lidar com os efeitos físicos da demência, e até mesmo um ano extra de educação pode reduzir significativamente o risco de desenvolver a doença cerebral, disseram cientistas .
As descobertas de pesquisadores do Reino Unido e da Finlândia podem ter importante implicação para a saúde pública num momento em que as populações de muitos países estão envelhecendo rapidamente e a expectativa é que os números de demência aumentem bruscamente.
Os pesquisadores descobriram que pessoas que vão para a universidade ou faculdade após saírem da escola parecem ser menos afetadas pelas mudanças do cérebro associadas à demência, do que aquelas que param de estudar mais cedo.
"O hábito de estudar mais não está associado a diferenças nos danos ao cérebro, mas as pessoas com ensino superior podem lidar melhor com esse prejuízo", disse Hanna Keage da Universidade de Cambridge, que trabalhou no estudo com uma equipe anglo-finlandesa.
Durante a última década, os estudos sobre demência têm mostrado que quanto mais tempo se gasta em educação, mais baixo é o risco de demência -mas até agora os cientistas não sabiam se isso acontecia porque a educação de alguma forma protegia o cérebro contra os danos, ou porque tornava as pessoas mais capazes de lidar com o problema.
Neste estudo, publicado na revista Brain, exames "post mortem" mostraram que as alterações no cérebro foram semelhantes entre os que foram educados por mais tempo e aqueles que não foram, mas os efeitos da doença nas pessoas mais educadas foram atenuados pela maior capacidade de lidar com eles.
FORÇA PSICOLÓGICA
Keage disse que isto acontece devido à força psicológica, o que permite que aqueles com maior escolaridade pensem sobre os problemas apresentados por sua doença ou encontrem formas de superá-los.
Os pesquisadores ainda apuraram que para cada ano extra de educação houve uma diminuição de 11% no risco de desenvolver demência.
Cerca de 35 milhões de pessoas ao redor do mundo sofrem de demência. Sua forma mais comum é a doença de Alzheimer, em que os pacientes perdem gradualmente a memória, a capacidade de compreender o mundo e de cuidar de si próprias. Apesar de décadas de pesquisas, os médicos ainda têm poucas armas eficazes contra o problema.
Desenvolver formas de prevenção contra a demência está se tornando cada vez mais importante para os governos no mundo inteiro, pois espera-se que o número de casos duplique em 20 anos para 66 milhões em 2030 e mais de 115 milhões em 2050. Além disso, o custo para lidar com doenças ligadas ao envelhecimento da população está previsto para aumentar significativamente nas próximas décadas.
A equipe de Keage disse que nos Estados Unidos, por exemplo, se o início da demência pudesse ser atrasado por dois anos nas pessoas com idade acima de 50, haveria quase dois milhões a menos de casos de demência nos próximos 40 anos -uma redução que também diminuiria drasticamente os custos previstos da doença.
Os cientistas examinaram os cérebros de 872 pessoas que estiveram envolvidas em três grandes estudos sobre envelhecimento da população europeia e que, antes de sua morte, haviam completado questionários sobre educação, quando deixaram a escola e se foram para a universidade.
"Nosso estudo mostra que a educação nos primeiros anos de vida aparece para habilitar algumas pessoas para lidar com uma série de mudanças em seu cérebro antes de mostrar sintomas de demência", disse Keage.
Sonhar demais atrapalha aprendizado, mostra pesquisa
Colocando voluntários para jogar Doom, game que ganhou fama nos anos 1990, a equipe do neurocientista Sidarta Ribeiro descobriu que, para aprender alguma coisa, não bastar dormir bem: é preciso sonhar. Mas não demais.
Matar monstros (missão do jogador do game) pela ciência não é só diversão: os voluntários têm sua atividade cerebral monitorada quando vão dormir. Os cientistas acordam os jogadores que sonham e fazem com que descrevam os seus sonhos.
Cruzando essas respostas com a evolução no desempenho dos voluntários no jogo, descobriram que, para aprender a jogar, sonhar realmente é importante. Os voluntários que não sonhavam com o jogo tinham mais dificuldade para, no dia seguinte, matar monstros e passar por fases.
Quando alguém sonha, é como se o cérebro estivesse salvando as informações importantes do dia em um arquivo permanente.
"O Doom envolve a memória que você tem consciência de ter, como saber onde fica uma passagem secreta ou onde você pega uma arma, e também outro tipo de memória, como a melhora na pontaria conforme você joga", diz Ribeiro, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e do Instituto Internacional de Neurociência de Natal.
A equipe imaginava que os voluntários que se envolviam muito com o jogo, sonhando muito com ele, virariam campeões. Não foi o que aconteceu. A partir de certo ponto, quanto mais você sonha, menos você aprende.
Acharam uma possível explicação: sonhos demais talvez levem a estresse, algo que atrapalha o desempenho. A pessoa não está aprendendo com eles --os sonhos são, aí, só uma demonstração do impacto causado pelo tema no sujeito.
MALDITOS MONSTROS
"O Doom mobiliza o sujeito emocionalmente. Ele fica com medo dos bichos, com muita raiva deles", diz Ribeiro. São conhecidos casos extremos de pacientes que sonham exageradamente com um mesmo tema --como alguns veteranos de guerra-, e eles provavelmente não estão tendo nenhum aprendizado com isso.
Os cientistas queriam, entretanto, trocar o Doom por um desafio mais real. Investigaram mais de 60 vestibulandos da UFRN, que relatavam se tinham sonhado com a prova no dia anterior a ela.
Era maior a chance de ser aprovado se a pessoa tinha sonhado apenas medianamente com a prova (nem muito, nem pouco) e se o sonho não envolvia grandes emoções e estresses --como conteúdos de geometria ou encontrar amigos fazendo a prova, por exemplo.
Quem não tinha sonhado ou quem tinha sonhado com coisas negativas --"pesadelos como encontrar o portão fechado, esquecer a caneta ou se ver nu na prova", nas palavras de Ribeiro-- teve notas piores no teste.
Ao que parece, portanto, embora não seja possível controlar os sonhos, um ambiente desperto menos estressante favorece os sonhos "do bem".
Menos medicamentos genéricos chegam às farmácias do País
O ritmo de registros de novos medicamentos genéricos caiu em 2010. Até o início do mês, foram 84, e a expectativa do mercado é que o volume não chegue aos 295 ocorridos no ano passado. Os dados são da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos). Apesar do número menor, medicamentos de grande procura devem estar disponíveis ao consumidor ainda este ano, como é o caso do genérico do Viagra, para disfunção sexual.
O presidente da associação de fabricantes, Odnir Finotti, explica que a queda de registros de medicamentos é um movimento natural do mercado. "A tendência é que daqui para frente haja um número reduzido de registros, pois os remédios com grande interesse por parte dos consumidores já tiveram o prazo de patente expirado e estão à venda como genéricos", afirma.
Hoje são 2.951 medicamentos genéricos no mercado, que de acordo com Finotti cobrem 90% das doenças. "A indústria continua acompanhando o prazo das patentes", avalia.
Para o diretor do Centro Paulista de Economia da Saúde da Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Marcos Bosi Ferraz, o mercado de genéricos mostra amadurecimento sobre o registro e a disponibilidade de medicamentos dessa linha. "Mesmo assim, ainda há espaço para crescer. É um mercado de consumo em crescimento", diz.
Apesar do ritmo menor de registros de medicamentos com patentes liberadas, o mercado de genéricos apresentou crescimento de 31,3% em vendas de unidades - de 71,4 milhões para 93,8 milhões - no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2009.
Quanto ao faturamento, a alta foi de 76,1% na comparação entre os trimestres - de US$ 407,2 milhões nos três primeiros meses de 2009 para US$ 717,1 milhões de janeiro a março de 2010.
Em abril, houve a liberação da patente do Viagra, que já está no mercado como genérico e com grande procura pelos usuários. Em fevereiro, o Diovan (Valsartan ou Valsartana), medicamento para controle da hipertensão arterial teve a patente expirada e logo deve estar nas farmácias na versão genérica. Outro que chega no fim do ano é o genérico do Lipitor (Atorvastatina), o remédio mais consumido do mundo para combater colesterol.
editor@diariosbo.com.br