Oscar:
Brasil faz
campanha para o filme
“2 Filhos de Francisco”
Divulgação
|
Cena
do filme ‘2 Filhos de Francisco’, sobre a dupla
Zezé di Camargo & Luciano
|
EUm
time formado por
personalidades do
cinema nacional, da televisão e da música tenta,
por meio de uma campanha independente, emplacar o filme “2
Filhos de Francisco” em uma indicação ao Oscar
de melhor filme estrangeiro. A iniciativa surge após boas
estatísticas do longa de Breno Silveira apresentadas no
Brasil, com 5,3 milhões de espectadores nos cinemas e 150
mil cópias de DVD vendidas.
Uma das últimas cartadas da campanha será no próximo
dia 5 de janeiro, quando haverá uma sessão para
convidados no Consulado Brasileiro em Los Angeles. No dia 6, o
longa será exibido em sessão de gala no festival
de Palm Springs.
“Também colocaremos anúncios em veículos
especializados, como a ‘’Variety’’ e o
‘’Hollywood Reporter’’, e levaremos os
garotos, atores e o diretor do filme para participar das sessões”,
contou o produtor Leonardo Monteiro de Barros, um dos sócios
da Conspiração Filmes.
As indicações serão anunciadas no dia 31
de janeiro pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas,
em Hollywood. São 58 filmes de diferentes países
na disputa, um recorde na história do prêmio.
Até que seja conhecida a lista dos indicados, o filme sobre
os meninos do interior do país que tomavam ovo cru de manhã
para cantarem “como galos” tenta convencer formadores
de opinião nos Estados Unidos de que ele merece uma vaga
na disputa.
O longa já foi exibido em duas sessões — uma
em Los Angeles, com apoio do Producer’’s Guild of
América (o sindicato dos produtores) e outra em Nova York.
A exibição oficial para os membros da Academia que
indicarão os cinco candidatos também já ocorreu.
Também estão sendo investidos 150 mil dólares,
segundo Barros, o mesmo valor médio gasto no ano passado
para a divulgação de “Olga”, o indicado
brasileiro à candidatura do prêmio.
“Um investimento assim não garante nada, mas ajuda.
O investimento de verdade começa depois que o filme é
indicado”, disse Bruno Wainer, que, na época, coordenou
a campanha do filme de Jayme Monjardim.
BRASILEIROS SE ARTICULAM
NO EXTERIOR - O filme, que conta
a história da dupla sertaneja Zezé di Camargo e
Luciano, ganhou o apoio de nomes que já frequentaram as
listas rumo a uma possível indicação, como
Walter Salles, Fernando Meirelles, Hector Babenco e Bruno Barreto.
Brasileiros como Caetano Veloso, Paula Lavigne e Sônia Braga
também se articulam para transformar o filme em “queridinho
da América”.
“O crucial é o filme, não o investimento feito
nele. O trabalho é gerar visibilidade e boa aceitação
para o filme. A gente já sentiu que ele não tem
rejeição e que agrada as massas”, diz Barros.
Se indicado, a expectativa é encontrar padrinhos norte-americanos.
“Daí, sim, começa um trabalho de lobby”,
disse Barros.
Como ainda não tem distribuição internacional
certa, a campanha não tem apoio de estúdios no exterior,
como aconteceu com outros candidatos, de anos anteriores.
“Cidade de Deus”, por exemplo, teve toda a promoção
coordenada pela Miramax, que “adotou” o filme. Quando
a mesma Conspiração Filmes levou à lista
de indicados o filme “Eu Tu Eles” (2001), a campanha
também foi realizada pela Sony Classics.
Além da boa recepção entre os espectadores
convidados a ver o filme, segundo os relatos dos produtores, o
longa ganhou um suspiro de esperança ao ser citado em segundo
lugar pelo site independente “The Film Experience”
como um dos sete cotados para ganhar uma vaga na disputa.
No ano passado, nenhuma de suas previsões, no entanto,
se confirmou — ele chegou a colocar o brasileiro “Olga”
como “ainda possível” às vésperas
do anúncio.
O site, porém, acertou neste ano algumas indicações
ao Globo de Ouro — “Merry Christmas ou Joyeux Noel”
(França), “A Promessa” (China) e “Tsotsi”
(África do Sul).
Ter ficado de fora da disputa no Globo de Ouro, onde também
pleiteava uma indicação, não abalou a fé
dos produtores de “2 Filhos de Francisco”.
“O Oscar é outra história e nós avaliamos
que o filme tenha mais o seu perfil. São prêmios
de perfis diferentes. Os votos da Academia são diferentes
porque no Globo de Ouro votam jornalistas especializados”,
comentou Barros.