Santa Bárbara d'Oeste, 17 de Dezembro de 2005





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Oscar: Brasil faz
campanha para o filme
“2 Filhos de Francisco”

Divulgação
Cena do filme ‘2 Filhos de Francisco’, sobre a dupla Zezé di Camargo & Luciano

EUm time formado por
personalidades do
cinema nacional, da televisão e da música tenta, por meio de uma campanha independente, emplacar o filme “2 Filhos de Francisco” em uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro. A iniciativa surge após boas estatísticas do longa de Breno Silveira apresentadas no Brasil, com 5,3 milhões de espectadores nos cinemas e 150 mil cópias de DVD vendidas.
Uma das últimas cartadas da campanha será no próximo dia 5 de janeiro, quando haverá uma sessão para convidados no Consulado Brasileiro em Los Angeles. No dia 6, o longa será exibido em sessão de gala no festival de Palm Springs.
“Também colocaremos anúncios em veículos especializados, como a ‘’Variety’’ e o ‘’Hollywood Reporter’’, e levaremos os garotos, atores e o diretor do filme para participar das sessões”, contou o produtor Leonardo Monteiro de Barros, um dos sócios da Conspiração Filmes.
As indicações serão anunciadas no dia 31 de janeiro pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, em Hollywood. São 58 filmes de diferentes países na disputa, um recorde na história do prêmio.
Até que seja conhecida a lista dos indicados, o filme sobre os meninos do interior do país que tomavam ovo cru de manhã para cantarem “como galos” tenta convencer formadores de opinião nos Estados Unidos de que ele merece uma vaga na disputa.
O longa já foi exibido em duas sessões — uma em Los Angeles, com apoio do Producer’’s Guild of América (o sindicato dos produtores) e outra em Nova York. A exibição oficial para os membros da Academia que indicarão os cinco candidatos também já ocorreu.
Também estão sendo investidos 150 mil dólares, segundo Barros, o mesmo valor médio gasto no ano passado para a divulgação de “Olga”, o indicado brasileiro à candidatura do prêmio.
“Um investimento assim não garante nada, mas ajuda. O investimento de verdade começa depois que o filme é indicado”, disse Bruno Wainer, que, na época, coordenou a campanha do filme de Jayme Monjardim.

BRASILEIROS SE ARTICULAM NO EXTERIOR - O filme, que conta a história da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, ganhou o apoio de nomes que já frequentaram as listas rumo a uma possível indicação, como Walter Salles, Fernando Meirelles, Hector Babenco e Bruno Barreto. Brasileiros como Caetano Veloso, Paula Lavigne e Sônia Braga também se articulam para transformar o filme em “queridinho da América”.
“O crucial é o filme, não o investimento feito nele. O trabalho é gerar visibilidade e boa aceitação para o filme. A gente já sentiu que ele não tem rejeição e que agrada as massas”, diz Barros.
Se indicado, a expectativa é encontrar padrinhos norte-americanos. “Daí, sim, começa um trabalho de lobby”, disse Barros.
Como ainda não tem distribuição internacional certa, a campanha não tem apoio de estúdios no exterior, como aconteceu com outros candidatos, de anos anteriores.
“Cidade de Deus”, por exemplo, teve toda a promoção coordenada pela Miramax, que “adotou” o filme. Quando a mesma Conspiração Filmes levou à lista de indicados o filme “Eu Tu Eles” (2001), a campanha também foi realizada pela Sony Classics.
Além da boa recepção entre os espectadores convidados a ver o filme, segundo os relatos dos produtores, o longa ganhou um suspiro de esperança ao ser citado em segundo lugar pelo site independente “The Film Experience” como um dos sete cotados para ganhar uma vaga na disputa.
No ano passado, nenhuma de suas previsões, no entanto, se confirmou — ele chegou a colocar o brasileiro “Olga” como “ainda possível” às vésperas do anúncio.
O site, porém, acertou neste ano algumas indicações ao Globo de Ouro — “Merry Christmas ou Joyeux Noel” (França), “A Promessa” (China) e “Tsotsi” (África do Sul).
Ter ficado de fora da disputa no Globo de Ouro, onde também pleiteava uma indicação, não abalou a fé dos produtores de “2 Filhos de Francisco”.
“O Oscar é outra história e nós avaliamos que o filme tenha mais o seu perfil. São prêmios de perfis diferentes. Os votos da Academia são diferentes porque no Globo de Ouro votam jornalistas especializados”, comentou Barros.


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