Queda-de-braço é
o jogo do União
na virada para 2006
O jogo da queda-de-braço na realidade vem acontecendo dentro
do futebol do União Agrícola Barbarense desde as
vésperas da assinatura do contrato da atual parceria que
o clube oficializou em 11 de junho de 2003 com a empresa européia
U.B. Corporation.
Os dois primeiros a se degladiarem nos bastidores foram o então
presidente da diretoria, o empresário José Antonio
Murbach, e o empresário de futebol Maurílio D´Elboux,
o supervisor de futebol unionista àquela época.
Levou a melhor o presidente Murbach, que, com a autorização
de todo o Conselho Deliberativo e demais parceiros de diretoria,
exceto o conselheiro Laércio Ramos, único voto contrário,
ganhou a parada para que o futebol fechasse com a atual parceira
para a continuidade do futebol no clube, pois as finanças
do alvinegro estavam – e continuam até hoje –
abaladas.
E veio a chamada “Era U.B. Corporation” na vida do
União A.B.F.C. Os parceiros europeus injetaram dinheiro
de início e o futebol unionista conseguiu caminhar com
normalidade, mas graças também à força
encontrada no técnico Sérgio Farias, que comandava
praticamente tudo, tendo sido mais que um treinador em sua passagem
vitoriosa pelo “leão da 13”.
Com o pulso firme e a inteligência do carioca Sérgio
Farias, em trabalho bem auxiliado pelo preparador físico
Renato Vinhas, o União Barbarense, controlado pela U.B.
Corporation, chegou à conquista do título de campeão
brasileiro da Série C – a 3ª Divisão
– na temporada de 2004, levando o alvinegro pela primeira
vez em sua história a alçar vôos mais altos,
tendo percorrido todo este Brasil, divulgando o nome de Santa
Bárbara de norte a sul, de leste a oeste durante as disputas
da Série B do Campeonato Brasileiro deste ano que está
se acabando.
Mas em 2005 a saída do verdadeiro comandante Sérgio
Farias deixou o futebol unionista incontrolável, com sucessivas
trocas de treinadores e também de presidente da outra empresa
criada – União Barbarense Futebol Clube Limitada
- para gerir os departamentos profissional e amador.
Com total desentrosamento entre comissão técnica
e comando do futebol, com negociações de jogadores
sendo fechadas a qualquer momento dos campeonatos, o que sobrou
de início para o União foi um primeiro rebaixamento,
com sua queda no “Paulistão”. Depois vieram
as tentativas de salvação nos Tribunais Esportivos,
mas também sem obter sucesso, embora estivesse o União
Barbarense com a razão no caso da irregularidade confirmada
na escalação do goleiro Pitarelli pelo América
de Rio Preto.
Aconteceram novas quedas-de-braço, com Oleksiy Borovikov,
que já havia derrubado Magu Rodrigues do União Ltda.,
tendo derrubado também o sucessor de Magu, que foi Francisco
Silveira Mello, que antes conseguiu derrubar Jorge Martins, que
fazia o elo, na ligação clube-empresa, função
que ficou para Pedrão Betini, que não logrou êxito
por falta de reciprocidade dos europeus nos contatos.
Durante o Campeonato Brasileiro da Série B, outra luta
travada, porém já dentro do elenco de profissionais:
foi entre o segundo técnico unionista contratado para o
certame, Zé Carlos Serrão, e um dos ídolos
da torcida, o atacante sempre artilheiro Gilson Batata. Quem ganhou
aqui foi Gilson Batata, que teve que voltar a ser escalado como
titular.
Contudo, houve só um perdedor nessas questões: sempre
o futebol unionista, que de novo sentiu o gosto amargo de um segundo
rebaixamento numa mesma temporada.
As coisas não pararam por aí, pois Borovikov derrubou
mais um na queda-de-braço: caiu o administrador da U.B.
em Santa Bárbara, Ézzio Moschini Filho, este sendo
degolado do cargo também porque órgãos de
imprensa tiveram influência na decisão ao detectar
que seu modo de atuar num clube de futebol era completamente inadequado,
nada conhecendo do ramo.
Em seguida, outro ucraniano, Yuriy Panfilov, ligado ao “chefão”
da U.B., também participou destas lutas intermináveis
no União de queda-de-braço, tendo derrubado o técnico
Claudemir Magrão, que estava comandando o time de juniores
e sequer teve a chance de iniciar seu trabalho com os profissionais
do “leão da 13”. Esta briga mexeu com a cabeça
do gerente Ulisses Tavares da Silva Filho, que estava para ser
oficializado como o terceiro presidente da empresa União
Barbarense F.C. Ltda, mas que desistiria de ficar no futebol do
alvinegro logo após a Copa São Paulo e agora admite,
novamente, continuar, desde que Oleksiy Borovikov dê melhores
recursos para se recomper o elenco.
Guerra
de agora, um jogo provocado pela Tusb
Agora,
durante todo este mês de dezembro, desde que integrantes
da Tusb – Torcida Uniformizada (Unionista) Sangue Barbarense
– foram até a Estância de Águas de São
Pedro, o novo local de concentração dos jogadores
do União Barbarense, um novo jogo se instalou nos bastidores.
Está em andamento a queda-de-braço. De um lado a
Tusb quer mostrar a sua força, com apoio oficial do atual
e do futuro presidente unionista, João Batista Zampieri
até amanhã e Reinaldo Italiano Brugnerotto a partir
de domingo, além da oferecida por um outro grupo de empresários
da cidade. Do outro lado está a U.B. Corporation, cujo
comandante, o “chefão” Oleksiy Borovikov, se
encontra na Europa, em seu país, a Ucrânia, onde
permanecerá até o começo da próxima
semana, mas muito provavelmente sabendo que o clima por aqui,
em Santa Bárbara, está quente, no entanto ele deve
continuar “frio” como sempre em suas ações
no futebol do alvinegro de Santa Bárbara.
Quem vem cuidando das coisas da U.B. no União é
o gerente de futebol Ulisses Tavares da Silva Filho, que no momento,
além de se ocupar com a realização da Copa
São Paulo de Juniores – e Santa Bárbara vai
ser a sede do Grupo C -, também acompanha o iniciante técnico
Gilson Batata na recomposição do elenco de profissionais
que Oleksiy resolveu dissolver três dias após o término
da participação unionista no “Brasileirinho”,
ainda na primeira quinzena de setembro.
O comando da U.B. se mostra tranquilo e por isso mesmo segue seus
trabalhos, mais em Águas de São Pedro, no “esconderijo”
encontrado pelos europeus, com raras aparições em
Santa Bárbara, que é a casa do União.
Paralelamente, a Tusb, representada por advogado da própria
cidade, Marco Antonio Pizzolato, também trabalha firme
na preparação da documentação que
será apresentada de forma oficial na segunda-feira, dia
2, às entidades Federação Paulista de Futebol
(F.P.F.) e, depois, Confederação Brasileira de Futebol
(C.B.F.), na qual irá solicitar a volta para o clube de
todos os direitos sobre jogadores, conforme o constante no Instrumento
particular (item 8.1) de cessão de direitos federativos
e confederativos.
As vagas nos Campeonatos Paulista e Brasileiro sempre pertenceram
ao clube União A.B.F.C., que só repassou aos empresários
europeus a cessão dos direitos federativos e confederativos,
mas que seria quebrado o contrato de forma unilateral caso a empresa
deixasse de cumprir itens do contrato de parceria (o principal)
ou do instrumento assinado e seguida pelas partes (acessório).
O
futebol do União só
tem jogadores juniores
Quais
são os jogadores do elenco de profissionais do União
Barbarense na virada de 2005 para 2006?
Tal indagação não pode ser respondida com
toda a precisão neste momento de “briga”, em
que o comando da Tusb vem “peitando” o comando da
U.B. Corporation e exigindo que eles, os tidos da “parceria”,
deixem o clube em definitivo e vão se estabelecer de vez
lá por Águas de São Pedro.
Na prática, hoje, o União tem um elenco de juniores,
que é de uma outra empresa da U.B. – a Master Escolinha
de Futebol -, time que vem treinando para estrear dia 4 de janeiro
na Copa São Paulo, devendo jogar na sede de Santa Bárbara.
Os juniores, jogando amistosamente na quarta-feira em Sumaré,
ganharam por 3 a 1 do Náutico, do Estado de Roraima, que
também vai estar na chamada “Copinha”.
Mas, a U.B. afirma que iniciou as contratações de
jogadores para seu elenco de profissionais para o “Paulistinha”
que vai começar, para o União Barbarense, dia 5
de fevereiro. O técnico Gilson Batata trouxe para preparador
físico o ex-lateral Batata, que defendeu o União
Barbarense no Campeonato Paulista de 1986 e começo de 87.
Mantém na comissão técnica, da U.B., o eficiente
treinador de goleiros Toni Ferreira. E anuncia que na segunda-feira
à tarde, dia 2, devem se apresentar, no Estádio
Antonio Guimarães, jogadores que estavam no clube, como
o goleiro Samir, os volantes Leonel e Walter, além de outros
desconhecidos, casos de Paulo (goleiro), Mauro Carlos, Cristiano,
Guilherme, Alex Bahia, Luciano, Cal e Jonathan, sem contar outros
que virão para período de testes, mas todos já
contatados por eles, do chamado “comando 1”.
Segundo os comandantes da Tusb, empresários da cidade estão
de prontidão, já trabalhando, e também montando
o seu time, com o “comando 2”, para defender o União
a partir de 2006.
Então, quem levará essa, quem vai ganhar a queda-de-braço
mais dura do ano? A atual empresa “parceira”, a comandada
pelos europeus? Ou a outra empresa, aquela que ainda deverá
ser criada por empresários de Santa Bárbara e por
empresários do ramo futebol?
Seja esta ou aquela, o fato é que se tem muita pressa na
questão, já que o União Barbarense está
a pouco mais de um mês de sua estréia na Série
A-2 do Campeonato Paulista, que está marcada para a cidade
de Taubaté, contra o EC Taubaté.
Se os homens de comando bobearem, o União Barbarense correrá
o risco de dar uma de “Matonense”, ou seja, colocar
dois times diferentes em campo para uma mesma partida, ou então
dar uma de “Grêmio Novorizontino”, que sumiu
do cenário futebolístico...