Santa Bárbara d'Oeste, 30 de Dezembro de 2005





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Queda-de-braço é
o jogo do União
na virada para 2006

O jogo da queda-de-braço na realidade vem acontecendo dentro do futebol do União Agrícola Barbarense desde as vésperas da assinatura do contrato da atual parceria que o clube oficializou em 11 de junho de 2003 com a empresa européia U.B. Corporation.
Os dois primeiros a se degladiarem nos bastidores foram o então presidente da diretoria, o empresário José Antonio Murbach, e o empresário de futebol Maurílio D´Elboux, o supervisor de futebol unionista àquela época. Levou a melhor o presidente Murbach, que, com a autorização de todo o Conselho Deliberativo e demais parceiros de diretoria, exceto o conselheiro Laércio Ramos, único voto contrário, ganhou a parada para que o futebol fechasse com a atual parceira para a continuidade do futebol no clube, pois as finanças do alvinegro estavam – e continuam até hoje – abaladas.
E veio a chamada “Era U.B. Corporation” na vida do União A.B.F.C. Os parceiros europeus injetaram dinheiro de início e o futebol unionista conseguiu caminhar com normalidade, mas graças também à força encontrada no técnico Sérgio Farias, que comandava praticamente tudo, tendo sido mais que um treinador em sua passagem vitoriosa pelo “leão da 13”.
Com o pulso firme e a inteligência do carioca Sérgio Farias, em trabalho bem auxiliado pelo preparador físico Renato Vinhas, o União Barbarense, controlado pela U.B. Corporation, chegou à conquista do título de campeão brasileiro da Série C – a 3ª Divisão – na temporada de 2004, levando o alvinegro pela primeira vez em sua história a alçar vôos mais altos, tendo percorrido todo este Brasil, divulgando o nome de Santa Bárbara de norte a sul, de leste a oeste durante as disputas da Série B do Campeonato Brasileiro deste ano que está se acabando.
Mas em 2005 a saída do verdadeiro comandante Sérgio Farias deixou o futebol unionista incontrolável, com sucessivas trocas de treinadores e também de presidente da outra empresa criada – União Barbarense Futebol Clube Limitada - para gerir os departamentos profissional e amador.
Com total desentrosamento entre comissão técnica e comando do futebol, com negociações de jogadores sendo fechadas a qualquer momento dos campeonatos, o que sobrou de início para o União foi um primeiro rebaixamento, com sua queda no “Paulistão”. Depois vieram as tentativas de salvação nos Tribunais Esportivos, mas também sem obter sucesso, embora estivesse o União Barbarense com a razão no caso da irregularidade confirmada na escalação do goleiro Pitarelli pelo América de Rio Preto.
Aconteceram novas quedas-de-braço, com Oleksiy Borovikov, que já havia derrubado Magu Rodrigues do União Ltda., tendo derrubado também o sucessor de Magu, que foi Francisco Silveira Mello, que antes conseguiu derrubar Jorge Martins, que fazia o elo, na ligação clube-empresa, função que ficou para Pedrão Betini, que não logrou êxito por falta de reciprocidade dos europeus nos contatos.
Durante o Campeonato Brasileiro da Série B, outra luta travada, porém já dentro do elenco de profissionais: foi entre o segundo técnico unionista contratado para o certame, Zé Carlos Serrão, e um dos ídolos da torcida, o atacante sempre artilheiro Gilson Batata. Quem ganhou aqui foi Gilson Batata, que teve que voltar a ser escalado como titular.
Contudo, houve só um perdedor nessas questões: sempre o futebol unionista, que de novo sentiu o gosto amargo de um segundo rebaixamento numa mesma temporada.
As coisas não pararam por aí, pois Borovikov derrubou mais um na queda-de-braço: caiu o administrador da U.B. em Santa Bárbara, Ézzio Moschini Filho, este sendo degolado do cargo também porque órgãos de imprensa tiveram influência na decisão ao detectar que seu modo de atuar num clube de futebol era completamente inadequado, nada conhecendo do ramo.
Em seguida, outro ucraniano, Yuriy Panfilov, ligado ao “chefão” da U.B., também participou destas lutas intermináveis no União de queda-de-braço, tendo derrubado o técnico Claudemir Magrão, que estava comandando o time de juniores e sequer teve a chance de iniciar seu trabalho com os profissionais do “leão da 13”. Esta briga mexeu com a cabeça do gerente Ulisses Tavares da Silva Filho, que estava para ser oficializado como o terceiro presidente da empresa União Barbarense F.C. Ltda, mas que desistiria de ficar no futebol do alvinegro logo após a Copa São Paulo e agora admite, novamente, continuar, desde que Oleksiy Borovikov dê melhores recursos para se recomper o elenco.


Guerra de agora, um jogo provocado pela Tusb

Agora, durante todo este mês de dezembro, desde que integrantes da Tusb – Torcida Uniformizada (Unionista) Sangue Barbarense – foram até a Estância de Águas de São Pedro, o novo local de concentração dos jogadores do União Barbarense, um novo jogo se instalou nos bastidores.
Está em andamento a queda-de-braço. De um lado a Tusb quer mostrar a sua força, com apoio oficial do atual e do futuro presidente unionista, João Batista Zampieri até amanhã e Reinaldo Italiano Brugnerotto a partir de domingo, além da oferecida por um outro grupo de empresários da cidade. Do outro lado está a U.B. Corporation, cujo comandante, o “chefão” Oleksiy Borovikov, se encontra na Europa, em seu país, a Ucrânia, onde permanecerá até o começo da próxima semana, mas muito provavelmente sabendo que o clima por aqui, em Santa Bárbara, está quente, no entanto ele deve continuar “frio” como sempre em suas ações no futebol do alvinegro de Santa Bárbara.
Quem vem cuidando das coisas da U.B. no União é o gerente de futebol Ulisses Tavares da Silva Filho, que no momento, além de se ocupar com a realização da Copa São Paulo de Juniores – e Santa Bárbara vai ser a sede do Grupo C -, também acompanha o iniciante técnico Gilson Batata na recomposição do elenco de profissionais que Oleksiy resolveu dissolver três dias após o término da participação unionista no “Brasileirinho”, ainda na primeira quinzena de setembro.
O comando da U.B. se mostra tranquilo e por isso mesmo segue seus trabalhos, mais em Águas de São Pedro, no “esconderijo” encontrado pelos europeus, com raras aparições em Santa Bárbara, que é a casa do União.
Paralelamente, a Tusb, representada por advogado da própria cidade, Marco Antonio Pizzolato, também trabalha firme na preparação da documentação que será apresentada de forma oficial na segunda-feira, dia 2, às entidades Federação Paulista de Futebol (F.P.F.) e, depois, Confederação Brasileira de Futebol (C.B.F.), na qual irá solicitar a volta para o clube de todos os direitos sobre jogadores, conforme o constante no Instrumento particular (item 8.1) de cessão de direitos federativos e confederativos.
As vagas nos Campeonatos Paulista e Brasileiro sempre pertenceram ao clube União A.B.F.C., que só repassou aos empresários europeus a cessão dos direitos federativos e confederativos, mas que seria quebrado o contrato de forma unilateral caso a empresa deixasse de cumprir itens do contrato de parceria (o principal) ou do instrumento assinado e seguida pelas partes (acessório).


O futebol do União só
tem jogadores juniores

Quais são os jogadores do elenco de profissionais do União Barbarense na virada de 2005 para 2006?
Tal indagação não pode ser respondida com toda a precisão neste momento de “briga”, em que o comando da Tusb vem “peitando” o comando da U.B. Corporation e exigindo que eles, os tidos da “parceria”, deixem o clube em definitivo e vão se estabelecer de vez lá por Águas de São Pedro.
Na prática, hoje, o União tem um elenco de juniores, que é de uma outra empresa da U.B. – a Master Escolinha de Futebol -, time que vem treinando para estrear dia 4 de janeiro na Copa São Paulo, devendo jogar na sede de Santa Bárbara. Os juniores, jogando amistosamente na quarta-feira em Sumaré, ganharam por 3 a 1 do Náutico, do Estado de Roraima, que também vai estar na chamada “Copinha”.
Mas, a U.B. afirma que iniciou as contratações de jogadores para seu elenco de profissionais para o “Paulistinha” que vai começar, para o União Barbarense, dia 5 de fevereiro. O técnico Gilson Batata trouxe para preparador físico o ex-lateral Batata, que defendeu o União Barbarense no Campeonato Paulista de 1986 e começo de 87. Mantém na comissão técnica, da U.B., o eficiente treinador de goleiros Toni Ferreira. E anuncia que na segunda-feira à tarde, dia 2, devem se apresentar, no Estádio Antonio Guimarães, jogadores que estavam no clube, como o goleiro Samir, os volantes Leonel e Walter, além de outros desconhecidos, casos de Paulo (goleiro), Mauro Carlos, Cristiano, Guilherme, Alex Bahia, Luciano, Cal e Jonathan, sem contar outros que virão para período de testes, mas todos já contatados por eles, do chamado “comando 1”.
Segundo os comandantes da Tusb, empresários da cidade estão de prontidão, já trabalhando, e também montando o seu time, com o “comando 2”, para defender o União a partir de 2006.
Então, quem levará essa, quem vai ganhar a queda-de-braço mais dura do ano? A atual empresa “parceira”, a comandada pelos europeus? Ou a outra empresa, aquela que ainda deverá ser criada por empresários de Santa Bárbara e por empresários do ramo futebol?
Seja esta ou aquela, o fato é que se tem muita pressa na questão, já que o União Barbarense está a pouco mais de um mês de sua estréia na Série A-2 do Campeonato Paulista, que está marcada para a cidade de Taubaté, contra o EC Taubaté.
Se os homens de comando bobearem, o União Barbarense correrá o risco de dar uma de “Matonense”, ou seja, colocar dois times diferentes em campo para uma mesma partida, ou então dar uma de “Grêmio Novorizontino”, que sumiu do cenário futebolístico...


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