Camila
Pitanga vai viver empregada doméstica
Nos
últimos dois anos, a atriz Camila Pitanga tem brilhado
na tela do cinema, participando de filmes como “Redentor”,
que estreou ano passado, e “Sal de Prata”, que entra
em cartaz na semana que vem.
Mas os fãs da atriz logo poderão vê-la novamente
na televisão. Em novembro, Camila viverá a empregada
doméstica Mônica, em “Belíssima”,
trama das oito de Sílvio de Abreu que substituirá
“América”.
“A Mônica é uma garota de origem humilde. O
pai dela mora no Bexiga, e ela vive na mansão onde trabalha.
Ela é o contraponto do glamour do mundo da moda que o Sílvio
[de Abreu] vai retratar nessa novela. Mas pode ser que tenha uma
mudança que ainda não posso revelar”, despista.
Além de viver um típico triângulo amoroso
com os personagens de Leopoldo Pacheco e Alexandre Borges, Mônica
vai protagonizar uma trama delicada na nova novela. “Ela
tem um afilhado, que foi abandonado pelos pais, por quem ela tem
verdadeira adoração. A Mônica vai ser a personagem
que discute a adoção de crianças abandonadas
pelos pais e que encontram carinho e atenção de
pessoas com as quais não têm nenhum laço familiar.
É uma personagem do bem e muito guerreira.”
Cineastas
discutem incentivo fiscal
A
divergências que dividiram a classe cinematográfica
quando a criação da Ancinav esteve em pauta, no
ano passado, parecem ter saído de cena agora, quando o
assunto em pauta é a extinção do Artigo 1o.
da Lei do Audiovisual (que permite às empresas investir
em projetos cinematográficos parte do imposto de renda
devido), prevista para dezembro de 2006. Desta vez, tudo indica
que a classe está coesa quanto à conclusão
de que a lei deve ser renovada. “Constatamos que a política
para o cinema brasileiro se resume a uma lei. Sem o incentivo
fiscal, o cinema brasileiro morre”, comentou o cineasta
e distribuidor André Sturm. Para evitar esta catástrofe,
representantes se reuniram na quinta-feira em São Paulo,
no MIS para discutir a Renovação da Lei do Audiovisual.
O clima da reunião, organizada pelo Fórum do Audiovisual
e do Cinema, foi de consenso. E o coro contou com vozes tradicionalmente
dissonantes. Entre os debatedores, estavam Cadu Rodrigues, diretor
da GloboFilmes, Gustavo Dahl, diretor da Ancine, o diretor Toni
Venturi, a produtora Assunção Hernandes, o distribuidor
Bruno Wainer, da Lumière, Rodrigo Saturnino, da Columbia,
Roberto Farias, a diretora e produtora Carla Camurati, o produtor
Luiz Carlos Barreto, o ator e diretor Paulo Betti, entre outros.
A conclusão parece óbvia, já que não
há outra proposta a curto prazo que possibilite a auto-sustentação
do cinema nacional. As divergências ficaram mesmo no tema:
A lei será renovada exatamente como é ou sofrerá
modificações? “Acho desperdício não
aproveitar esta oportunidade para fazer ajustes e melhorar detalhes
que precisam ser revistos”, afirmou Gustavo Dahl. A declaração
de Dahl não revela quem defende esta postura, mas o comentário
geral era de que, escaldada com o grande desgaste que as cisões
do ano passado causaram, a classe cinematográfica prefere
não levantar grandes discussões teóricas
neste momento delicado por que passa a política do País.
André Sturm, ponderou: “Não haverá
desgaste desta vez. A situação é outra. Ano
passado foi-nos imposto um modelo e a classe foi praticamente
obrigada a se dividir entre quem era contra ou a favor. Desta
vez, são os profissionais de cinema que irão discutir
antes o que acham que deve ser mudado, para então apresentar
ao governo.”
E o que deve ser mudado? Agora chegamos às divergências.
Dos erros de redação da lei à programas de
incentivo aos profissionais de infra-estrutura e distribuidores,
da eficácia da extinta Embrafilme ao Artigo Terceiro .
Temas não faltaram. Saturnino defendeu a manutenção
do Artigo Terceiro (que permite às distribuidoras que lidam
com filmes estrangeiros investir em filmes nacionais parte do
que pagariam de imposto sobre remessa de recursos ao exterior)
e apresentou relatório em que mostrava que para cada real
investido pela Columbia em produção, R$1,8 são
gastos para lançar este mesmo filme.
Léo Barros, da Conspiração Filmes, defendeu
a volta da Taxa de Administração das produtoras.
“Num processo de um filme, todos são pagos, menos
a empresa que o está produzindo. Não faz o menor
sentido.” Mas a afirmação de Barros que deve
render discussões futuras foi de que a decisão final
sobre um projeto deve ficar na mão do distribuidor. “É
fundamental que quem decida para onde vai o dinheiro seja o distribuidor
porque eles são os principais agentes do mercado.”
Bruno Wainer concordou: “São os distribuidores que
podem fazer o diagnóstico do potencial do filme no mercado.
O gargalo da distribuição entrou definitivamente
em pauta.” Para Saturnino, a distribuição
no Brasil não mais se restringe a cinema. “Sempre
que calculamos os custos, pensamos em Vídeo/DVD, TV aberta
e fechada. Se pensarmos em somente salas de cinema, não
teremos nunca retorno do investimento.”