A confusão entre a rinite e a sinusite é muito comum. Mas, ao contrário do que muita gente pensa, essas doenças não são a mesma coisa, embora ambas tenham sintomas parecidos e sejam processos inflamatórios. O secretário de Saúde e médico, Dreison Iatarola, explica as diferenças sobre essas duas “ites”, comuns nesta época do ano devido às temperaturas mais baixas e o ar seco e poluído, que irritam as mucosas respiratórias.
Segundo o médico, tudo que termina em “ite” significa uma inflação e dependendo do local afetado recebe a denominação. Quando a inflamação afeta a mucosa que reveste o nariz recebe o nome de (rinite); os seios da face - também chamados de cavidades paranasais- ( sinusite); os olhos (conjuntivite), ouvidos (otite) e faringe (faringite).
Dreison apontou que se sabe que para a rinite existe um forte componente genético. Quando os pais têm rinite, a chance de os filhos terem o problema chega a 50%. A principal causa da rinite diz que é a alergia (rinite alérgica), mas existem também outras causas para a ocorrência como a medicamentosa, no entanto, menos freqüentes.
Na rinite alérgica, a inflamação da mucosa do nariz ocorre geralmente quando a pessoa inala algum alérgeno (substância/partícula) e o seu organismo produz uma reação exagerada de defesa ao contato com o mesmo, desencadeando a alergia. As partículas capazes de causar a doença são muitas, entre elas pólen, mofo, poeira, produtos de limpeza, fumaça de cigarro, pelos de animais e o ar frio.
“O nariz tem a função de filtrar as impurezas, além de umidificar e aquecer o ar que vai chegar aos pulmões. A pessoa alérgica tem uma reação exagerada às partículas inaladas que são consideradas estranhas. O sistema imunológico reage de forma intensa na tentativa de defesa do organismo”, explicou.
Na crise de rinite a pessoa apresenta obstrução nasal, coriza, espirros, sendo comum a ocorrência de salvas vários espirro seguidos, coceira e vermelhidão do nariz, fadiga e irritabilidade. O médico disse que a reação exagerada de defesa do organismo irá provocar o aumento do muco nasal, que irá fazer o nariz ficar entupido e ter o corrimento nasal, que é a coriza. Além disso, pode ocorrer lacrimejamento e coceira nos olhos. Também pode ocorrer tosse quando a secreção escorre para a garganta, irritando-a.
O diagnóstico da doença é feito com base na história de queixas do paciente, exame físico e teste de alergias. No entanto, é importante identificar o ou as substâncias que podem desencadear a rinite e tentar evitar. O tratamento dos pacientes é composto por higiene ambiental, medicamentos e vacinas. A lavagem nasal com soro fisiológico ou outras soluções salinas é eficiente para eliminar os alérgenos aderidos na mucosa nasal naqueles casos mais leves. “O tratamento principal é tentar evitar o contato com a substância que a pessoa sabe que desencadeia a alergia”, disse Dreison.
No caso da higiene ambiental evitar carpete, tapetes e cortinas de tecido, sempre trocar a roupa de cama, evitar urso de pelúcia no quarto e objetos que acumulem poeira. A limpeza de preferência ser feita com pano úmido. Além disso, os ambientes da casa devem estar sempre bem ventilados e ensolarados.
Sinusite
Já a sinusite é a inflamação da mucosa dos seios da face, região do crânio formada por cavidades ósseas ao redor do nariz, maçãs do rosto e olhos. Dentre as suas funções estão umidificação e aquecimento do ar respirado pelo nariz e aumento da ressonância da voz.
A doença pode ser resultado de infecções: virais, bacterianas ou alérgicas. O médico explicou que quadros de alergias ou gripe, por exemplo, podem causar aumento de secreções, que obstruem a drenagem dos seios da face. A impossibilidade de escoar o muco produzido leva à congestão dos seios paranasais e, consequentemente, à sinusite.
Os sintomas da sinusite podem incluir dores de cabeça, na face e envolta dos olhos, sensação de ouvido entupido, mau hálito e tosse, que pode piorar durante a noite. O diagnóstico da sinusite é feito também com base na história de queixas do paciente, exame físico e em alguns casos exame de imagem, sendo o mais comum a tomografia computadorizada. Já a radiografia de seios da face, muito usada antigamente, não é mais considerado um bom exame, pois não consegue identificar a sinusite até 40% dos casos.
Para o tratamento está indicado a lavagem da cavidade nasal com solução salina (soro fisiológico), hidratação para ajudar diluir as secreções e medicamentos para a dor. Os antibióticos só devem ser usados quando há evidências de sinusite bacteriana.
Dreison falou ainda sobre o uso de descongestionantes nasais tanto por pacientes com rinite como sinusite. Ele observou que geralmente são usados em excesso e desnecessariamente. Quando necessário, indica-se o seu uso por no máximo três dias, pois costumam causar dependência. As informações são do Programa Mais Saúde, transmitido todas as quartas-feiras, a partir das 9h, na Rádio Santa Bárbara FM. A população pode participar do programa mandando perguntas ou sugestões pelo facebook: Santa Bárbara FM 95,9; twitter: @SBárbaraFM95; email: radio@santabarbara.sp.gov.br ou pelo telefone: 3455-1991.