O mês de Outubro também é Verde, além de Rosa. A campanha nesta cor é para conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do tratamento contra a sífilis congênita, DST que pode ser transmitida de mãe para filho e que tem alcançado um número maior de casos a cada ano.
A Sociedade Brasileira de Pediatria de São Paulo (SPSP) e a Associação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (SOGESP) instituíram o mês de outubro como o de combate à sífilis congênita. A iniciativa visa estimular ações de conscientização em prol da eliminação da doença, cuja meta é reduzir sua prevalência a menos de meio caso por mil nascidos vivos.
“Essa Campanha é de grande relevância, uma vez que a sífilis congênita faz parte de uma discussão contínua em nossa sociedade. Ela já deveria ser eliminada devido às condições plenas de diagnóstico e tratamento disponíveis à gestante. Temos um quadro atual muito preocupante, com os casos aumentando a cada ano, e precisamos fazer algo para reverter esta situação. As consequências são muito sérias para o feto, em diversos aspectos, e que podem perdurar por toda sua vida”, alerta dr. Cláudio Barsanti, presidente da SPSP.
A falta de tratamento durante a gestação é o principal fator para sua transmissão ao feto, que se dá por via placentária. Para evitar este quadro, consta no protocolo de atendimento obstétrico o rastreamento através de sorologia na gravidez a fim de identificar a presença da doença na gestante e iniciar a terapêutica o mais breve possível, em caso positivo. A recomendação é uso de penicilina benzatina; a depender do estágio da doença, de 2 a 6 doses.
A sífilis
É uma Infecção Sexualmente Transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. Ela pode acometer pessoas de ambos os sexos. Quando do sexo feminino e gestante esta pode, por consequência, transmitir ou não a sífilis ao recém nascido. A congênita é quando é transmitida para a criança durante a gestação. Ela pode ser transmitida em qualquer momento da gravidez; a probabilidade de contágio varia de acordo com o tempo de exposição ao feto e do estágio clínico da doença materna. Quanto antes confirmar o diagnóstico, melhor o prognóstico e menor o risco para o bebê.
Entre as graves complicações da sífilis estão aborto espontâneo, natimorto, parto prematuro, má-formação do feto, surdez, cegueira, deficiência mental e óbito neonatal. O Bebê pode nascer sem nenhum sinal da doença ou apresentar : baixo peso, rinite com coriza sero-sanguinolenta, prematuridade, osteocondrite, periostite, osteíte, choro ao manuseio e obstrução nasal. Esses achados podem se manifestar no nascimento ou até os dois anos de idade.
Números
Conforme dados do Ministério da Saúde, todos os tipos de sífilis – adulto, em gestantes e congênitas (em bebês) são de notificação obrigatória no país há, pelo menos, cinco anos. Segundo dados do Boletim Epidemiológico de 2016, entre os anos de 2014 e 2015, a sífilis adquirida teve um aumento de 32,7%, a sífilis em gestantes 20,9% e congênita, de 19%.
No Estado de São Paulo, conforme dados divulgados pelo governo estadual, entre 1986 e junho de 2015, foram notificados 24.108 casos e 360 óbitos. Embora seja prevenível, a sífilis congênita tem apresentado taxas crescentes nos últimos anos.
Comparando o ano de 2010 com 2014, a elevação da taxa de incidência da doença mais que dobrou, passando de 2 para 4,8 casos por mil nascidos-vivos. Outro fato observado foi o aumento no número de óbitos infantis, passando de 10 óbitos, em 2010, para 35 óbitos, em 2014.
Para obter mais informações sobre sífilis congênita e os serviços especializados disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde), ligue no Disque DST/Aids: 0800 16 25 50, que funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.
Município
Em Santa Bárbara d´Oeste, a Secretaria de Saúde informa que neste ano (2016) foram registrados até o momento três casos de sífilis congênita. Já em 2015 não houve registro de nenhum caso de sífilis congênita. Em 2016, 65 pessoas foram notificadas com sífilis. Destes casos, 23 são gestantes. Neste mesmo ano, três casos foram classificados como sífilis congênita.
Os pacientes com sífilis são acompanhados e tratados pela Rede Municipal de Saúde, nas Unidades Básicas de Saúde e, quando há necessidade em casos específicos, são encaminhados para Ambulatório de Doenças Infectocontagiosas (AMDIC) para análise de um infectologista. Os recém nascidos também recebem acompanhamento e quando necessário o tratamento. Também em casos específicos podem ser encaminhados ao AMDIC.
A Secretaria informa ainda que a sífilis pode acometer pessoas de ambos os sexos. Quando do sexo feminino e gestante esta pode, por consequência, transmitir ou não a sífilis ao recém nascido. Após o parto, o acompanhamento do recém nascido até o fechamento do caso como sífilis congênita positiva ou negativa pode prosseguir por períodos superiores a 18 meses após nascimento. Diante disso, pode haver diferença entre o numero de gestantes (ou pessoas) com sífilis ante o número de casos de sífilis congênita.
Ações
O Ministério da Saúde contará com o apoio das sociedades médica e civil para combater a sífilis no Brasil. Na última quinta-feira (20/10), durante a Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), foi assinada, com 19 associações e conselhos de saúde, uma carta compromisso estabelecendo ações estratégicas para redução da sífilis congênita no país com prazo previsto de um ano. O foco é detectar precocemente a doença no início do pré-natal e encaminhar imediato tratamento com penicilina.
Na ocasião, também foi apresentada uma campanha publicitária chamando atenção para ações de prevenção da sífilis e o Boletim Epidemiológico com números de casos no país. Neste ano, a campanha de combate à sífilis terá como foco as gestantes jovens e seus parceiros sensibilizando-os para a realização do teste de sífilis no início da gestação e, também incentivando o parceiro a fazer o teste, evitando a reinfeção.
Coordenada pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, as ações terão prazo previsto de realização de um ano. O prazo corresponde ao intervalo entre o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, celebrado no terceiro sábado de outubro (15/10/16) e a data do próximo ano. Estão previstos o incentivo à realização do pré-natal precoce, ainda no primeiro trimestre da gestação; ampliação do diagnóstico (por meio de teste rápido); tratamento oportuno para a gestante e seu parceiro; incentivo à administração de penicilina benzatina, considerada o único medicamento seguro e eficaz na prevenção da sífilis congênita. Também haverá ações de educação permanente para qualificação de gestores e profissionais de saúde.
Outra ação do Ministério para orientar e subsidiar os profissionais de saúde na realização da testagem pelos profissionais de saúde na atenção básica é o Manual Técnico para o Diagnóstico da Sífilis, lançado durante o evento.